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...

publicado por ónix, em 03.01.15

 E em cada abraço que me davas, sentia a força que precisava para continuar e a paz que sempre quisera alcançar.

 

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publicado por ónix às 00:24

O Despertar dos Silêncios

publicado por ónix, em 25.11.14

  Para quem tem silêncios para despertar e faz de um livro de palavras belas o seu cúmplice de emoções!

 

 

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publicado por ónix às 21:34

Back in time

publicado por ónix, em 27.08.14

Reentraste na minha vida sem avisar e reavivaste-me memórias adormecidas em sono profundo. Relembraste-me momentos passados que jamais pensei que pudessem despertar. A teu lado passaram as horas calmas e serenas, fluiram as palavras, escutei em êxtase a tua voz, queria tocar a tua mão e sentir a tua pele.

No regresso a casa descansei as memórias despertas, aquietei-me a pensar em ti.

E se nessa noite me tivesses pedido para ficar? Aninhava-me em ti e descansava no teu ombro o cansaço das saudades.

Depois? Os sentidos e a vontade falariam por si.

 

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publicado por ónix às 23:47

25

publicado por ónix, em 25.04.14


Que o meu País outrora reprimido

e orgulhosamente erguido a 25

continue a gritar Liberdade

e seja eternamente uma manhã de Abril.

 

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publicado por ónix às 17:22

Um dia...

publicado por ónix, em 10.11.13

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Certa vez, após uns dias de ausência que me custaram imenso, aproximaste-te de mim de surpresa, deste-me um abraço do teu tamanho e murmuraste-me ao ouvido... só para ver esse teu sorriso, já valeu a pena vir.

E eu abracei o mundo com o meu sorriso.

 

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publicado por ónix às 20:29

Vontades

publicado por ónix, em 11.09.13

A festa estava ao rubro. Por entre uma multidão eufórica e cheia de vontade de acreditar numa vida melhor, ela irrompeu disposta a ser feliz. Sucederam-se gargalhadas, conversas intimistas, sentia-se felicidade no seu coração. Agarrou a alegria dos momentos, aproveitou até ao tutano amizades que julgava perdidas.

Riu e dançou, correu desenfreada e voltou a dançar e quis parar o tempo.

Quando o estalar dos foguetes anunciaram o fim, regressou a casa feliz. No olhar, transportava uma alegria imensa... no coração, transportava liberdade!

 

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publicado por ónix às 22:41

Almoças?

publicado por ónix, em 30.04.13

De vez em quando passam-nos assim pela cabeça umas ideias um pouco loucas, não sei se é o caso desta, mas gostava de organizar um almoço aqui em Torres com todos aqueles que partilham palavras e ao fim e ao cabo um pouco de si mesmos, neste pequeno/grande universo dos blogs. Acho que seria giro conhecermo-nos pessoalmente e passar um dia divertido e diferente. Apesar de considerar que vai ser complicado devido a questões geográficas e de calendário, consideraria o fim de semana de 21 e 22 de Junho(ficando o almoço para 22, sábado) aceitando-se no entanto sugestões. Afinal vem aí o Verão e os dias quentes, que convidam a eventos assim.

Possivelmente vou levar uma nega daquelas, mas não faz mal. Fica a intenção.

 

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publicado por ónix às 22:58

Poetas

publicado por ónix, em 09.04.13

 Os poetas são tristes e escrevem sobre coisas tristes.

Os poetas escrevem nos cafés, nos sotãos, nas caves e obedecem fielmente à inspiração quando ela aparece sem avisar.

Os poetas amam os livros, amam o cheiro das folhas de papel, amam as canetas e os cadernos.

Os poetas espreitam o lado negro da vida e fazem dele poesia.

Os poetas sonham acordados e transpiram rimas de tudo e de nada.

Os poetas têm a alma e o coração grandes e acreditam em coisas de amor e liberdade.

Os poetas quando morrem vão p'ro céu. E lá de cima, deixam cair palavras soltas.

 

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publicado por ónix às 23:08

Faz

publicado por ónix, em 02.04.13

Vem a correr abraçar-me e faz-me esquecer a quase loucura da tua ausência. Sussura-me ao ouvido palavras de amor ausente e faz com que o beijo frenético que trocamos faça disparar os sentidos . Depois, deixa que me abandone em ti e faz-me acreditar que te vou ter até à eternidade.

 

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publicado por ónix às 17:07

Escolhas

publicado por ónix, em 02.02.13

 

Lágrimas de raiva não contidas, mãos trémulas passadas pelos caracóis do cabelo e o pensamento que vai para ti. Consumo-me. Escapa-se-me o chão e a gravidade. A luta travada não chegou. Para os outros chega sempre. E depois existe sempre aquele medo da solidão e dessas coisas assim. De momento só queria uma gargalhada das tuas, não dizem por aí que a vida é feita de momentos? Isto é pedir muito? Se calhar... tendo em conta a situação e a vida que me tramou ou então até fui eu quem tramou a vida. Sei lá. Quero ser feliz. Ponto.

 

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publicado por ónix às 00:43

Noite

publicado por ónix, em 28.12.12

As botas grosseiras e gastas iam deixando marcas no caminho que percorria na noite gélida. As chaminés das casas fumegavam e os telhados  cobertos de branco curvavam-se ao seu passar. Farrapos de neve tinham caído durante todo o dia prolongando-se silenciosos pela noite dentro. Com o bafo aqueceu as mãos e tentou aquecer a alma. Ia espreitando aqui e ali observando através das janelas, gentes que soltavam gargalhadas e conversavam no quente dos seus lares. A comida e a bebida abundavam contranstando com o verdadeiro sentido da noite que diziam ser santa. Sorrisos de escárnio e ambição apoderavam-se de cada ser que silenciosamente observava e silenciosamente condenava. Todos os anos se obrigava a fazer aquela caminhada batendo de porta em porta sem que a necessidade o obrigasse, mas por uma curiosidade desmedida. Poucos eram os que lhe abriam a porta, raros os que lhe dirigiam a palavra quando o faziam. Continuou o seu caminho rumo a casa. Também esta fumegava tendo no seu interior todo o conforto que um homem deseja ter. Descalçou as botas e sentou-se no velho cadeirão junto à lareira. Colocou a mão sobre o coração... batia descompassado, talvez de emoção ou de desencantamento, quem sabe. Desencantamento do mundo e dos homens, das atitudes e dos sentires. Sentiu-se no entanto feliz. Feliz por ser quem era, feliz pelo bater do seu coração que tinha a certeza ser do tamanho do espírito daquela noite especial.

 

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publicado por ónix às 00:20

Aplauso

publicado por ónix, em 14.10.12

 

Diz-se por aí que as árvores morrem de pé e quem tem dignidade, fá-lo. Estes senhores que nos governam e tendo em conta as humilhações a que se têm subjugado, nunca saberão o que isso é. Destituídos de valores e de tudo o que é socialmente correcto e afrontados pelo medo que os vai corroendo, julgam através das suas mentes perversas que o povo pouco vale e tudo aceita. Esquecem-se os pobres coitados da força de um povo nobre que lutará com suor e lágrimas em prol dos seus ideais e do seu país, de um povo que no final gritará vitória.

Eles vão tombar... eu estarei cá para ver e para apludir de pé!

 

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publicado por ónix às 02:17

Sedução

publicado por ónix, em 31.08.12

 

Lado a lado,encostados ao balcão do bar eles falam sobre coisas banais. Separados pela distância e pelo tempo a amizade que os uniu outrora foi desvanecendo com o passar das horas e dos dias. O burburinho das conversas e a música envolvente, toldam-lhes os sentidos fazendo despertar emoções desconhecidas. Sente a mão dele percorrer-lhe as costas, sente-a depois insinuante nas ancas,sente-as finalmente a descansar em redor das coxas. E ela deixa. Depois entrelaça-lhe a cintura num jogo de sedução irresistível, cola o seu corpo ao dela e murmura-lhe em tom de súplica "dança comigo" e ela agarrada a ele deixa-se rodopiar, deixa-se embalar. Saem do bar, os sentidos baralhados, as emoções revoltas como um mar em dia de tempestade. Continuam a falar de coisas banais, observam o rio que vai correndo ao sabor da noite quente. Param, encontram-se os olhos, nasce o beijo desejado. Ele abraça-a, ela abraça-o e em tom de súplica no olhar doce, ela afasta-se a correr pela noite dentro com a voz da razão a matar cruelmente a vontade .

Sempre foi assim e possivelmente sempre assim será... medo do dia seguinte, medo de ser feliz, medo de seguir a voz ténue do coração.

 

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publicado por ónix às 02:41

Smile

publicado por ónix, em 20.07.12

Ela esperava-o como sempre junto ao portão vermelho, não importava se fazia chuva, se fazia sol. O corpo bem delineado inquietava-se se ele tardava. E quando ele aparecia no seu corpo magro assim surgido do nada, o sorriso dela, ai o sorriso dela, tinha a capacidade de iluminar o breu da noite mais invernosa. Impensável seria não darem aquele abraço apertado que os fazia sentirem-se pertença um do outro. E de mão dada seguiam avenida fora por entre confissões e juras de amor tendo como cúmplices os castanheiros que gemiam à sua passagem. No regresso, ele deixava-a contra vontade junto ao portão vermelho e dando-lhe aquele abraço que só os dois conseguiam sentir e entender, pedia-lhe o sorriso e murmurava-lhe palavras de amor eterno. Não queria regressar ao lar, queria ficar ali a bebê-la com o olhar, a dizer-lhe palavras loucas, a passear a mão atrevida pelo seu corpo esguio. Ela dava-lhe o sorriso pedido e também queria ficar. Mas a razão falava mais alto. Separavam-se com a promessa do reencontro no dia seguinte, e no outro dia e ainda no outro a seguir.

Está agora encostada ao portão vermelho, sozinha com a cumplicidade dos castanheiros. Já se contam no rosto algumas rugas que o tempo foi deixando. O corpo inquieta-se, sabe que ele não vem. Observa as velhas árvores desinsofridas, deviam dizer-lhe por onde anda o seu amor. Não obtém resposta, olha para dentro de si e admira a mulher em que se transformou. Sorri sem pensar, ai o seu sorriso, se ele o pudesse ver...

 

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publicado por ónix às 01:27

Gente?

publicado por ónix, em 04.06.12

Gostava de viver num mundo melhor. Gostava de acreditar no coração dos homens mas como não acredito, dou por mim pensativa e incrédula perante a podridão de gente que se diz gente mas que não é gente. Estou farta do fmi, da porcaria da troika ou lá o que isso é, dos bancos, dos homens que governam e que afundam lentamente os valores de um país com história, dos milhões que giram em volta dos corruptos que não passam de uma pequena amostra de gente. Estou desiludida com a ambição desmedida, com a desigualdade de direitos, com o silêncio de quem cala e consente.

Pensava que nesta altura da minha vida pouco ou nada me espantava. Espanta-me a serenidade do povo.

 

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publicado por ónix às 23:28

Why?

publicado por ónix, em 09.04.12

 

Quando naquele fim de tarde soalheiro entrei no teu Mini Morris azul escuro não fazia a mínima ideia para onde me/nos irias levar. Éramos quatro...eu, tu a mana e o F. Tinhas estudado no famoso colégio dos meninos bem e foi precisamente aí que nos levaste. Saltámos o muro das traseiras, eu a medo, tu rindo-te de mim. Nunca te abandonou esse teu espírito aventureiro. Os baloiços que se avistaram sorriram para mim, sempre adorei andar de baloiço, e tu de imediato te prontificaste para o empurrar. E assim passámos a tarde a falar de coisas banais, eu a ser embalada por ti e a sentir a brisa suave daquele fim de tarde outonal no meu rosto de menina. Passou depressa o tempo, aproximava-se a hora de regressar. Sentada na parte de trás do Mini Morris azul escuro comecei por te avisar da velocidade que a pequena viatura começava a ganhar. O meu coração palpitava, o carro levantava vôo nas lombas e eu insisti no aviso.Ignorando os meus pedidos,fixaste-me com esses teus olhos azuis atrevidos e provocadores, através do retrovisor. Mantiveste o teu olhar no meu  e assim continuaste até me deixares em casa. Jurei nunca mais andar contigo de carro. Cumpriu-se a promessa.

Voltámos a encontrar-nos mais vezes com o grupo de amigos de então. Sempre que me vias,agarravas-me e abraçavas-me com aquela ternura sem maldade como que a querer dizer-me alguma coisa e eu ceguinha de todo nada via, nada desconfiava. Naquela tarde de farra no famoso Fame onde se juntavam os adolescentes de então, disseste-me sem meias medidas o que provavelmente me querias ter dito há mais tempo. Fiquei boquiaberta qual peixe fora de água e disse-te que não. Ri-me muito e chamei-te doido. Ainda me lembro da imediata desilusão no azul dos teus olhos mas nada te fez desistir. Insististe durante mais algum tempo até perceberes finalmente que o que me unia a ti não ia além de uma grande e pura amizade.

Um dia disseste-me que te ias embora para longe, que tinhas arranjado trabalho. Despedimo-nos numa tarde de um fim de semana qualquer sem dramas nem ressentimentos. O tempo foi passando veloz, estive aproximadamente dois anos sem saber nada de ti, tu sem saberes nada de mim. Até que um dia apareceste na velhinha praça, sem avisar, com esses teus olhos malandros e essa tua expressão vitoriosa e aventureira. Senti um certo constrangimento entre nós, olhaste-me de alto a baixo, viste-me de mão dada...e pouco falámos além do que te tinha feito regressar. A partir desse dia cheguei à conclusão que a nossa amizade se desmoronara e que a distância nos tinha afastado quase de maneira irreversível. Não me lembro de termos voltado a falar.

A notícia do teu desaparecimento  algum tempo após o teu regresso, quem sabe para um sítio melhor, chegou de forma hedionda caindo em mim como uma bomba. O espírito aventureiro atraiçoara-te e a velocidade que tanto amavas revelou-se a tua pior inimiga. Chorei como uma miúda durante longos dias sentindo uma terrível angústia apoderar-se de mim. Depois, o tempo foi acalmando a dor.

Tenho pensado em ti achando que o faço poucas vezes, meu querido. E ainda hoje quando vou a casa de minha mãe e me sento no banco de jardim a contemplar a avenida, oiço os castanheiros suspirarem por ti e revejo-te, quando há muitos anos passavas por ali com esse teu porte altivo e aventureiro acompanhado desse teu olhar atrevido da cor do mar.

 

                                                             Para ti, com profunda saudade quão profundo era o azul do teu olhar

 

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publicado por ónix às 23:45

Acerca deste dia

publicado por ónix, em 08.03.12

 

Ainda gostava de saber de quem foi a mente iluminada que fez nascer este dia que por si só considero pura discriminação. Fico irritadíssima quando televisões e rádios logo pela manhã falam incessantemente do aberrante dia oito de Março.

Acho particularmente extasiante o facto de as mulheres portuguesas se juntarem aos magotes e todas felizes e contentes entupirem os restaurantes para irem almoçar e/ou jantar como se fosse o único dia de liberdade das suas vidas silenciosas e sem cor, num rol de mais trezentos e sessenta e quatro. Tenho pena das mulheres do meu país, mentalidades paupérrimas desprovidas de algum orgulho e bom senso.

Não as coloco todas na mesma bitola mas francamente, parem para pensar e já agora alguém que crie o dia das pessoas do sexo masculino. Com toda a certeza eles iriam adorar!!

 

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publicado por ónix às 20:04

Words

publicado por ónix, em 28.01.12

 

Não consigo escrever, anda fugida a inspiração. Carrego nas teclas que escrevem os meus desabafos e apago e volto a carregar para voltar a apagar. E depois desiludida, fecho-as num movimento brusco e sinto aquela vontade imensa de escrever e quero agarrar as palavras mas elas escapam-se-me por entre os dedos soltando gargalhadas de loucura. E eu numa corrida desenfreada continuo a persegui-las e elas perseguem-me a mim, uma aqui outra ali, sem ordem e sem sentido, levando-me à exaustão. Deixo fluir o tempo e quando elas regressam na calmaria de um fim de tarde soalheira, eu sorrio feliz, porque quando escrevo esqueço tudo e quando esqueço tudo sinto-me apaziguada. Carrego nas teclas sem apagar e elas sucedem-se submissas, escritas com ternura desmedida e com aquele sentido que só eu lhes sei dar.

 

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publicado por ónix às 01:10

Plágio...desta vez fui eu.

publicado por ónix, em 12.12.11

Muito se tem falado sobre plágio e desta vez fui eu a vítima se é que lhe posso chamar assim. Lamento que possam existir pessoas com tão pouco carácter. Como estou sem palavras nada mais tenho a dizer a não ser denunciar a plagiadora.

 

http://jackye-evellyn.blogspot.com/2010_08_01_archive.html

 

"Refúgio Feliz" da blogspot foi onde encontrei os meus textos plagiados na íntegra e a pessoa que plagiou apresento-a seguidamente: 

 

Os posts que apresento em baixo são os meus.

 

http://margaridaduarte.blogs.sapo.pt/24624.html

http://margaridaduarte.blogs.sapo.pt/25859.html

http://margaridaduarte.blogs.sapo.pt/24624.html


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publicado por ónix às 19:40

Ele e Ela

publicado por ónix, em 08.12.11

Cruzo-me com eles quase todos os dias no mesmo local, à mesma hora, faça chuva ou faça sol. Ela, numa cadeira de rodas com um chapéu de feltro na cabeça em dias frios, ele a empurrar. Setenta e tal anos e não, não faço a mínima ideia do seu parentesco. Marido e mulher, irmãos ou simplesmente amigos, pouco importa. A expressão dela, amarga, desiludida com a vida e sem resposta para os seus porquês, a expressão dele, de uma ternura sem tempo. Não consigo evitar um sorriso carinhoso que não vêem, através do vidro do meu carro que aguarda que o vermelho passe a verde.

E sempre que os olho quase todos os dias, no mesmo local, à mesma hora, faça chuva ou faça sol, nunca duvido nem por um segundo que seja, do imenso amor que os une até que o tempo o permita.

 

 

Este post é-lhes dedicado sabendo que nunca o irão ler.

São estes momentos que fazem renascer a inspiração e me dão força para continuar.

 

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publicado por ónix às 02:20

Red rose

publicado por ónix, em 25.11.11

O estafeta chegou de expressão serena ao meu trabalho com rosa encarnada na mão acompanhada de cartão. Perguntou por mim, eu disse que era engano. Sorriu e disse que não... entregou-me a rosa e partiu com sorriso estampado na cara. Olhei a rosa e li o cartão com lágrima ao canto do olho. Dispararam todos os sentidos, as colegas bateram palmas e eu sem saber se rir ou chorar tamanha era a emoção. A vontade era desmedida, queria  sair dali e correr até ti. Nada feito, custou-me o resto do dia. Guardei a rosa encarnada em livro grande e pesado. Passaram anos, um dia tu partiste.

Certa vez abri o livro, a rosa seca e de cor esbatida gemeu, desfez-se em mil pedaços. Com ela foi o meu coração.

 

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publicado por ónix às 21:26

Closed

publicado por ónix, em 31.10.11

Fechado p'ra balanço. Até breve, espero.

 

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publicado por ónix às 20:35

O livro ou não...

publicado por ónix, em 08.10.11

Este é o livro que escrevo para todos vós. Não tem a forma de um livro nem tão pouco o seu cheiro, não tem páginas, não tem capa nem contracapa. Não tem prefácio nem epílogo, não tem editora nem vai ter lançamento. Não tem nada mas tem tanto de mim. Momentos de toda uma vida vulgar com alegrias e tristezas, lágrimas e gargalhadas, ilusões e desilusões, amores e desamores e tantas coisas banais que marcam a vida de uma pessoa banal. Estas palavras que vos deixo, podem lê-las quando e onde quiserem, podem amá-las ou odiá-las, podem ser-lhes indiferentes, podem fazê-los pensar ou nem por isso.

E logo eu que amo os livros, que adoro folheá-los e senti-los, que absorvo as frases e as histórias, que adoro os autores e as biografias, que amo as livrarias e as bibliotecas. E será isto que escrevo um livro?

O meu livro não tem cor ou se calhar tem, tem a cor da minha alma, do meu coração e do meu pensar.

Este é o meu livro sem forma, que dedico a todos os que me lêem e que dedico sobretudo a mim. Aqui escrevo o que me apetece e o que sinto, uma vezes bem outras assim assim, mas não preciso mudar para publicar nem sequer perguntar se acham bem ou acham mal.

Efectivamente este livro é muito meu. É um imenso eu.

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias

 

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publicado por ónix às 00:05

Eternamente jovem

publicado por ónix, em 25.09.11

"Por todo o atelier pairava o aroma intenso das rosas e quando a branda aragem estival corria por entre as árvores do jardim, entrava pela porta a fragrância carregada do lilás, ou ainda o perfume delicado do espinheiro de floração rósea. Estendido no divã de bolsas de seda persas, a fumar, como era seu costume, cigarro após cigarro, Lord Henry Wotton só conseguia vislumbrar do seu canto as flores adocicadas e cor de mel de um laburno, cujos ramos trémulos pareciam mal poder suportar o peso de beleza tão fulgurante."

 

Oscar Wilde, in " O Retrato de Dorian Gray "

 

O frufru do vestido de seda preto fazia-se insinuar na sala escura e sombria. Andava de trás para a frente, de frente para trás num frenesim constante. Tinha passado pelo grande espelho que ladeava uma das muitas paredes aristocráticas e tinha olhado de relance. Odiou-se por o ter feito. As rugas marcavam de forma impiedosa o seu belo rosto de outrora que sempre provocara desejos escondidos nos homens por quem passava. Parecia agora um trapo velho e desajeitado. Não conseguiu evitar um grito de ódio, queria ser eternamente jovem, recusava-se a olhar para o espelho mas não conseguia evitá-lo por vezes. Saiu batendo com a porta e de rosto tapado com o habitual véu negro, precipitou-se para a rua pouco movimentada dirigindo-se à velha casa quase abandonada habitada pelo velho chinês que lhe havia vendido o líquido milagroso, o tal que rejuvenescia quando ingerido diariamente. Entrou acelerada insultando o pequeno homem que a olhava quase incrédulo.

- Aquilo que me que me vendeu, aquele líquido que me iria fazer voltar a ser jovem é uma fraude. Não saio daqui sem algo que me faça rejuvenescer. Não aceito ser velha e feia. Já ninguém me olha na rua. E despache-se, tenho pouco tempo.

O velho senhor nada disse e dirigindo-se à salinha repleta de frascos e frasquinhos, mezinhas e outras coisas que tais pegou cuidadosamente num deles dirigindo-se calma e suavemente à dama furibunda que o esperava ansiosa.

- Aqui tem...sabe? Isto é tudo uma ilusão. Nada a fará voltar a ser o que era. Nunca a enganei, sempre fui sincero. Se quiser pode ingerir este, irá ajudá-la na sua infelicidade.

E aproximando-se segredou-lhe ao ouvido palavras que jamais seriam reveladas. Ela abriu os olhos de espanto, atirou com uma nota para cima da mesa e saiu apressada. O coração batia descompassado quando entrou em casa e trancando-se no quarto retirou o véu que lhe cobria o rosto. Olhou-se uma última vez ao espelho, sentou-se na cama agora com uma calma desconcertante e levou o frasco aos lábios  já marcados pelo tempo. Bebeu até à última gota e deixando deslizar suavemente o frasco por entre os dedos, deitou-se à espera. Sentiu os olhos fecharem-se sem querer e uma tranquilidade invadiu-lhe o corpo e a alma.

A porta da entrada bateu. Lord Henry acabara de chegar. Só ela já não o ouvia.

 

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publicado por ónix às 23:33

Palavras para uma imagem

publicado por ónix, em 08.09.11

Deitou-se na areia molhada e sentiu a água fria daquele mar banhar-lhe os pés suavemente. Inspirou vezes sem conta o ar da praia, achando que aquele era o sítio certo para viver. Tinha feito a escolha ideal, aqueles fins de tarde junto ao mar davam-lhe anos de vida. Não se cansava do barulho peculiar do rebentar das ondas, das conchinhas e dos búzios que jaziam junto às rochas, da brisa fresca a bater-lhe no rosto logo pela manhã, dos pôr do sol inigualáveis e inspiradores.

Há muito que trocara o burburinho e a confusão da cidade pela praia que a acolhera sem quês nem porquês. Comprara casa com varanda virada para o mar, um sítio acolhedor e aconchegante que a recebia de sorriso aberto quando por vezes chegava cansada do trabalho. Considerava-se uma mulher feliz, afinal tinha tudo o que queria, podia contemplar a imensidão daquelas águas que a atraíam de uma maneira para a qual não encontrava explicação. Observou o sol a desaparecer devagarinho junto à linha do horizonte e achou que estava a fazer-se tarde. Por ela ficaria por ali a noite toda, podia até adormecer ao som do enrolar das ondas e acordar apenas na manhã seguinte com o sol a bater-lhe docemente nos olhos doces.

Levantou-se com uma paz que só ela compreendia e sentia. Depois, desenhou um coração na areia.

Rumou a casa onde a esperava o abraço intimista do Ricardo. Já devia estar preocupado ou talvez não. Afinal de contas conhecia-a como a palma da sua mão. Abriu a porta de mansinho e avistou-o na varanda sentado na cadeira de baloiço que tinha comprado para os dois. Quando lhe sentiu os passos voltou-se para trás notando-se de relance um brilho no seu olhar.

- Por onde andaste até esta hora? Aposto que a ver o mar...

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias

 

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publicado por ónix às 23:55

Medo

publicado por ónix, em 03.09.11

Será que algum dia vais voltar? Volta, meu querido, nem que seja para apaziguares por instantes este medo da tua ausência.

 

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publicado por ónix às 00:42

Histórias ou estórias, quem sabe

publicado por ónix, em 06.08.11

Sentou-se num banco da antiga praça e olhou em seu redor sentindo um apertozito no peito. Vivera ali momentos felizes com imensas gargalhadas, nunca os iria esquecer. Observou os cafés e as esplanadas, os hotéis e o cinema, o clube outrora frequentado pelos meninos  que pensavam que eram bem, a farmácia agora abandonada. Fixou o olhar cansado naquela porta, a que fazia esquina e que fora em tempos a loja do seu tio Godofredo. Tinha uma placa pendurada por cima da porta que dizia "selos", daquelas que abanavam docemente ao sabor do vento e continuou a olhar com nostalgia conseguindo imaginar e relembrar a tia Elvira à soleira da porta, quem sabe à espera de um cliente, talvez à espera de alguém conhecido a quem dar dois dedos de conversa. Subiu a ladeira calcetada com o mesmo olhar cheio de saudade e observou o castelo único na sua imponência. Tantas tardes bem passadas com a rapaziada junto ao velho relógio de sol... se calhar esperavam a visão da moura encantada num fim de tarde de um dia qualquer. Conheciam bem a lenda, eram os velhos da praça que contavam. Não conseguiu evitar um sorriso.

Continuou a imaginar a praça num passado já longínquo e sentiu saudades de tudo e de todos, de uma vida saudável e inocente com muitos risos à mistura.

Chamaram-lhe entretanto a atenção as árvores plantadas por ali. Não conhecia de todo a espécie. Poderia imaginar faias ou castanheiros, mas aquelas... parece que são jacarandás, ouviu dizer. Respirou fundo e recostou-se de forma confortável repousando a cabeça na parte superior do banco de jardim. Fechou os olhos e tentou imaginar... talvez quando os jacarandás da praça florirem em todo o seu esplendor a velhinha praça fique com outro ar, mas nunca em tempo algum com ou sem jacarandás, se poderá comparar à bela praça de outrora.

 

 

Autores contemporâneos torrejanos (quase todos) publicaram um livro de histórias ou estórias acerca da nossa praça com título e obrigatoriedade da frase " Quando os jacarandás da praça florirem em todo o seu esplendor". Hoje li-o de fio a pavio e apteteceu-me escrever... não me levem a mal.

 

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publicado por ónix às 00:19

No feminino

publicado por ónix, em 01.07.11

As mulheres da minha família são mulheres íntegras e fortes como os rochedos que se avistam algures  entre o céu e o mar. As mulheres que eu adoro e que são as da minha família, têm um coração grande e são dotadas de valores que muita gente desconhece. Estas mulheres que fazem parte de mim, têm um sorriso belo e sincero e são transparentes como as águas profundas dos oceanos. As mulheres que me acompanham nos bons e nos maus momentos e que são as da minha família são lutadoras e sofredoras porque gritam injustiça e muitas vezes não conseguem vencer. Revejo-me em todas elas, sou um pedaço de cada  uma das mulheres da minha família e é por tudo isto e muito mais que as amo a cada dia que passa com aquele amor que me ensinaram e que incondicionalmente me vão dar até ao fim.

 

Ultimamente tenho feito alguns brindes. Este é mais um. No feminino.

 

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publicado por ónix às 23:53

Nós

publicado por ónix, em 23.05.11

 

Se me voltasses a sussurrar ao ouvido aquelas palavras que só tu sabias dizer, eu não iria aguentar. Não sei o que te diria, acho que nada, mas decerto lágrimas de uma grande saudade cairiam copiosamente pelo meu rosto. Depois viria o silêncio e eu deixar-me-ia embalar em ti.

Ainda e sempre... lembras-te?

 

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publicado por ónix às 22:27

Brinde a ti

publicado por ónix, em 27.04.11

Hoje dei por mim a pensar em ti e achei que te penso bem menos do que devia. Recordei a tua imensa alegria de viver, a maneira despreocupada como encaravas a vida, o teu riso contangiante, a tua maneira de dançar, a tua tão grande sapiência. Absorvias cada pedacinho de vida, cada molécula de oxigénio, cada brisa leve que soprava. Naquela tarde fixaste-me e disseste-me, és uma mulher interessante, e depois tiraste-me uma fotografia. Ainda hoje descansa numa moldura do móvel cá de casa. Relembrei as conversas que tivémos e  reflecti que não houve tempo para  tornar mais sólida a nossa amizade.  E recordei as tuas últimas palavras... não as vou dizer, são escuras e silenciosas.

Não quero de todo que este seja mais um post triste, não irias gostar, eu sei.

Brindo então a ti e sempre que olhar o céu nas noites em que a saudade magoar, vou saber que a estrela mais resplandecente és tu, que  me protege e brilha especialmente  para mim!

 

Em memória do Nuno

 

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publicado por ónix às 23:19

Primavera

publicado por ónix, em 26.03.11

Gostaria de voltar a estar contigo num dia de Primavera, de preferência junto ao rio de águas mansas a ver o sol desaparecer subtilmente na linha do horizonte. Provavelmente falaríamos de coisas banais, do tempo e da temperatura amena, das flores e dos pássaros, dos campos verdes e das papoilas, dos dias que estão maiores e das noites mais pequenas.

Por mim ficaria assim a vida inteira, sem preocupações e lamentos, sem dores nem dissabores, os dois bem juntinhos a ver aquele pôr de sol num fim de tarde soalheira. Recordaria cada Primavera passada na casa da minha infância, o cheiro das rosas e dos lilases, as correrias inocentes pela avenida que floria para nós.

Que tens, perguntar-me-ias ao sentir-me triste.

Nostalgia, queria voltar a ser criança.

Apertar-me-ias junto ao peito e murmurarias ao meu ouvido a mais doce melodia.

Acalma o teu coração de menina... serás sempre minha. Quando eu partir vou nascer de novo para te voltar a encontrar, e acredita, será no mais belo fim de tarde de uma Primavera qualquer.

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias

 

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publicado por ónix às 14:27

Escreve-me

publicado por ónix, em 21.03.11

Escreve para mim o mais belo poema de amor, disse-te eu um dia

Tu olhaste-me com ternura infinda e correste desenfreado

à procura das palavras...

Colheste-as uma a uma e escreveste-as no papel

 

Lê-as devagarinho, disseste-me tu um dia

E eu, com medo do desengano, li as reticências, as vírgulas e os pontos finais

Quando terminei, no silêncio de mim, o coração chorou baixinho

com o assombro das palavras...

 

Apertei nas mãos e fiz calar o que tinha escrito para ti...

Definitivamente não sei escrever poemas de amor!

 

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publicado por ónix às 21:36

Dezanove

publicado por ónix, em 19.03.11

Shiu... não digas a ninguém que hoje é aquele dia em que vou sentir especialmente a falta de nós, a falta do teu afago, a falta da tua voz que me fez reparar em ti. Foste o meu grande amor, há quem diga que todas as pessoas têm um amor assim e tu foste tão especial, que queres que te diga!

E é no silêncio de nós que recordo os momentos partilhados, as gargalhadas dadas com vontade, os abraços prolongados, os beijos que não posso revelar.

Vou continuar a sentir a falta de ti até cair a noite sobre a cidade. Depois, no aconchego do meu quarto, deixo-me embalar em palavras  de amor  serenas e adormeço a sonhar contigo.

 

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publicado por ónix às 01:43

Palavras para uma imagem

publicado por ónix, em 05.03.11

 

Hoje subi ao sotão das recordações.

Vagueei por entre a poeira do tempo, por entre correrias e brincadeiras sem maldade, senti na alma e no corpo o esgar de alguns fantasmas do passado.

Tropecei em mágoas que deixaram cicatrizes, em paixões que deixaram saudade, em máscaras de vida que me ensinaram a viver.

Senti-me aprisionada, ajoelhei-me num cantinho de memórias, deixei cair lágrimas de raiva.

Resumi a vida num dia de Carnaval, senti arrepios de momentos, abracei aquele amor de outrora.

Condenei as injustiças do mundo, acreditei em coisas de paz, enrosquei-me em divagações de esperança.

Imaginei-me criança sem máscara, recordei gargalhadas de um Carnaval distante, reportei-me à minha infância.

 

Levantei-me apressada, sacudi a poeira do tempo, deixei de ser criança, preparei-me para enfrentar o futuro.

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias

 

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publicado por ónix às 22:36

Com Alma

publicado por ónix, em 27.02.11

Estacionou o carro na garagem e saiu compondo o casaco de fazenda vermelho que condizia na perfeição com as botas pretas de bico e cano alto. Fazia questão de andar sempre impecável, herdara isso de sua mãe.

Abriu a porta de casa, largou as chaves do carro e após tirar o casaco e as botas sentou-se exausta no sofá. Tinha sido um dia extenuante, não podia ter muitos mais assim. Levantou-se, achando que se continuasse sentada acabaria por sucumbir ao cansaço. Depois de um longo banho de imersão para descomprimir tomou uma refeição ligeira e já de pijama dirigiu-se calmamente para a sala de cores neutras e sedutoramente aconchegante. Sentou-se e ligou o portátil. Ia falando sozinha e suspirando... tabelas para preencher, papelada para entregar. Sentiu que aquele não era o momento, recusava-se a olhar para qualquer coisa que lhe lembrasse o trabalho. Tamborilou com a ponta dos dedos no computador acabando por tomar a decisão certa.

Clicou na Fábrica para ver o tema. Ainda não tinha tido tempo para o fazer e já estava mesmo no limite. Amava escrever, sentia-se completa quando o fazia... tinha a sensação que ao fazê-lo esquecia-se de um mundo frio e sem cor.

- Hum... Alma Gémea... - franziu o sobrolho.

Não estava de todo inspirada, ia escrever o quê, ou melhor, sobre quem? Alma Gémea... não tinha nenhuma de momento, no passado talvez. Continuou de sobrolho franzido e bem quietinha esperou que ela viesse. Nada. A malandra da inspiração andava a vaguear não sabia bem por onde.

Decidiu que não participaria. Não estava com cabeça para tal, muito menos com ideias. Fechou o portátil bruscamente e dirigiu-se à casa de banho. Olhou-se ao espelho e nele viu reflectida a imagem da mulher que era. Reparou no seu olhar sonhador e sorriu. Concentrou-se no sorriso...transparente como as águas límpidas de um rio. E pensou no que tinha ganho ao longo dos anos, ao longo da vida.

Por entre todos estes pensamentos começaram a surgir as palavras e as ideias sucediam-se em catadupa.

Saiu de rompante da casa de banho, ligou o portátil e achou com a sensatez que lhe era peculiar que não podia deixar fugir a inspiração.

Freneticamente começou a teclar.

 

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias

 

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publicado por ónix às 21:00

Para ti

publicado por ónix, em 16.02.11

...e lembra-me também no teu sentir e no teu sonhar... lembra-me como uma carícia infinda, pois é assim que eu te vou lembrar... devagarinho e suavemente até o tempo consentir.

 

C.

 

 

P.S. - Não te zangues. Depois da longa carta que te escrevi ainda ficaram algumas coisas por dizer, acho que acontece muitas vezes. Lê-a com toda a atenção, faz as paragens certas nas vírgulas, nas reticências e em cada ponto final. Tudo o que escrevi foram sentimentos  em forma de palavras adormecidas... aquelas que gostaria de te ter dito no passado. Absorve cada uma delas e cada frase também... ainda te lembras da minha letra?

Depois de a leres com toda a meiguice, se fores capaz, guarda-a no baú das tuas memórias, talvez um dia possamos falar sobre ela.

Sabes? Tenho um blog. Quem diria, logo eu, a escrever para quem quiser ler. Reptos foi o nome que lhe dei à nascença pois desde o início achei que cada post que fazia era um desafio. Se fores lá espreitar, verás debaixo do título uma das minhas frases favoritas  e que acabaste de ler no final da carta que tens nas mãos. Inspirei-me em ti.

Também tu tens um, soube-o por mero acaso do destino. De vez em quando vou lá perscrutar os teus desabafos, é superior a mim, nada posso fazer. Escreves bem, já alguém te disse?

Vou terminar, não te impacientes. Parece que te estou a imaginar "Com tanta lamechice ainda fico enjoado".

Só mais uma coisa e é a última, prometo.

Com tantas palavras escritas acabei por não te dizer o que sinto ou não sinto por ti, se te amo ou nem por isso.

Olha, meu querido, nem eu própria sei, apenas sei que o meu coração inquieto vai deambulando por aí, por  vezes longe, algures onde o amor e a ternura se confundem.

É mesmo o fim.

 

 Texto escrito para a Fábrica de Histórias


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publicado por ónix às 21:01

Era uma vez...

publicado por ónix, em 12.02.11

 

"Entardecia devagarinho na floresta de árvores centenárias e frondosas. A imensa humidade que se sentia fazia crescer altivos os cogumelos que ela colhia e colocava na cesta com todo o cuidado. Continuando curvada e após a cesta cheia dedicou-se à apanha de ervas de todos os sabores e feitios que utilizava para os seus chás milagrosos. Todos os dias recebia gentes da vila que se dirigiam à sua casa cuidada bem situada no coração da floresta. Iam em busca de cura para as maleitas de que padeciam. Depois de as apanhar e ao chegar a casa, colocava-as em saquinhos de papel pardo que comprava na vila distribuindo-os em cestas variadas para a venda quase diária que lhe dava o sustento.

Quem bebe aqueles chás fica curado, comentava-se na vila. Havia quem lhe chamasse curandeira, outros havia que lhe chamavam bruxa. Nunca fizera nada para que a rotulassem assim, era apenas a maldade a brotar da boca de quem não lhe queria bem. Não percebia porquê. Seria porque escolhera viver isolada na floresta que há tantos anos a acolhia? Ninguém sabia que o  fizera para esquecer um grande amor... e  apesar de tudo ainda não o esquecera. Esperaria por ele a vida inteira. Era o coração que lhe dizia.

Era amada por muitos, odiada por alguns. Aprendera a viver com aquela mágoa e assim seria até ao fim. Cumpriria o seu destino. No entanto não se sentia só, pois sabia que todos os dias alguém lhe bateria à porta com aquela devoção profunda de quem acredita na cura dos seus males.

A noite caiu densa na floresta de ervas mágicas. Pôs o xaile sobre os ombros e sentou-se na velha cadeira que descansava no alpendre. Da chávena que segurava na mão esguia fumegava um aroma que ajudava quem não dormia em paz, que ajudava quem ainda acreditava no regresso de um grande amor."

- Vô, ela não era bruxa pois não? Contas-me outra história de fadas e duendes?

E o avô com uma paciência infinda começou como começam todas as histórias... era uma vez...

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias


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publicado por ónix às 00:36

Virar de página

publicado por ónix, em 03.02.11

Passou as mãos enrugadas pelo álbum que encerrava as fotografias da sua já longa vida. Acariciou-o com uma ternura infinda e quase a medo começou a folheá-lo devagarinho. Avançada na idade orgulhava-se da memória que ainda mantinha lembrando-se de pormenores e passagens da vida que era a sua. Não conseguiu evitar um sorriso aos rever as fotos da sua infância a preto e branco pois na altura, cor nem sonhá-la quanto mais vê-la. Continuou a folhear recordando os seus entes queridos na sua maioria já desaparecidos. Parou quando se lhe depararam as do seu casamento, um de muitos dias felizes da sua existência. Cerimónia de pompa e circunstância, afinal casara com o seu grande amor, homem de fortuna avultada. Vieram-lhe à memória as festas para as quais era sempre convidada, as viagens que dera pelo mundo fora, a casa maravilhosa que construíram para os dois. Aproveitara a vida até ao tutano, as suas mãos trémulas e cansadas continuaram a virar cada página amarelecida pelo tempo. Ia sorrindo e suspirando fixando o olhar em si mesma.

- Era mesmo bonita, eu... - murmurou com um orgulho desmedido ao contemplar a sua farta cabeleira negra cor de ébano que contrastava com os seus belos olhos verde mar.

Provocando grandes paixonetas nos homens da vila apenas via aquele grande amor que ainda era o seu.

As passagens de uma vida sucediam-se e fotografia após fotografia deparou-se-lhe aquela página em branco desprovida de qualquer recordação boa, indigna de qualquer perdão. Mudando a expressão, o seu olhar tornou-se baço e sombrio e uma vontade imensa de gritar apoderou-se da sua alma aflita. Manteve o álbum inerte no colo e sentiu as forças desvanecerem. Há muito que arrancara as fotos daquela página e do seu coração. E lembrou-se dela no meio do turbilhão que era agora o seu pensamento... Sofia. Sua amiga desde sempre, não resistira aos encantos do Pedro. E ele não se fizera rogado.

Sentiu a chave na porta. Limpou a lagrimita num ápice, fechou o álbum com violência e ergueu a cabeça num gesto altivo.

- Já cá estou, querida... está um frio na rua!

Pedro beijou-lhe a fronte com ternura e abraçou-a sentando-se a seu lado.

Vozes roucas e enlouquecidas ecoavam na sua cabeça para que lhe perdoasse. Perdoar? Perdoara-lhe a vida inteira.

E as vozes insistiam para que esquecesse. Esquecer? Em tempo algum.

O álbum escorregou-lhe do colo caindo pesado no chão. Da página em branco gargalhadas de escárnio envolveram-na deixando-lhe o corpo gélido como o vento cortante que rugia lá fora.

 

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias


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publicado por ónix às 22:25

Palavras para uma Imagem

publicado por ónix, em 30.01.11

O espanta espíritos tilintou quando ela fechou a porta da loja. O frio gélido que se sentia lá fora não convidava de todo à pouca população da aldeia sair à rua. Decorada com gosto invulgar e fazendo lembrar as lojas do bairro de Chinatown, esta de aromas exóticos convidava a entrar. As velas e os incensos expostos com gosto em cada canto e recanto da velhinha loja, ardiam suave e lentamente deixando no ar um rasto de mistura de fragrâncias quase impossível de resistir.

Percorreu a pequena loja com a calma que a caracterizava e aspirou o perfume que emanava de cada vela acesa. Bálsamo, Lótus, Canela, Cedro, Jasmim, Orquídea, Verbena e Âmbar, alguns dos imensos aromas que tinha orgulho em exibir na loja que sempre pertencera à família. Parou junto da essência que lhe lembrava o Miguel...Almíscar... "Sabes o que representa? Amor e envolvimento..." e reportou-se ao passado e às palavras sábias da sua avó que tanto amara e tanto lhe ensinara. Aspirando seguidamente o cheiro a Mirra sentiu-se tranquila... "Acalma os medos..." e as palavras sabedoras da avó ditas num passado recente ecoavam na sua alma apertada de saudade. Dirigiu-se aquela vela especial, Ópio, cuja fragrância adorava particularmente. "Inspiração e serenidade..." dizia baixinho a avó. Depois, Sândalo... e envolveu-se no seu aroma adocicado, afinal fazia parte dos eleitos.

Olhando então para o cantinho mais escondido do seu espaço místico e acolhedor, observou-a. Não estava acesa. Bonjoim e o seu cheiro suave a baunilha. Não conseguia gostar, enjoava-a, mas lembrava-se tão bem das palavras murmuradas..."Aquece e relaxa."

Olhou repentinamente para o relógio. Estava a demorar-se mais que o habitual. Não tardava tinha o Miguel a ligar e a perguntar por onde andava. Começou por apagá-las uma a uma sem no entanto deixar de sentir o seu perfume. Faltava aquela, diferente e quase desconhecida... Vetiver, com o seu cheiro a terra bruta. E a voz ecoava no seu coração..." Altiva a sensualidade, condiz contigo minha querida." - dizia a avó em tom de segredo. Olhou para cima elevando o seu pensamento e todo o seu amor para quem imaginava retratada em cada fragrância, em cada vela que dava vida à sua vida. Soprou, apagou a luz e fechando a porta dirigiu-se para a rua rumo a casa. O tilintar do espanta espíritos ecoou na noite fria.

Um sopro de luz ténue teimava em dar cor à loja de velas e fragrâncias. Pêssego..."Afasta a tristeza, tenta mantê-la sempre acesa."

Um rasto de aroma de fruto invadiu lentamente a velha praça da aldeia num misto de exotismo e oração.

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias


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publicado por ónix às 01:06

A norte

publicado por ónix, em 29.01.11

- Não te mexas, mantém esse olhar e essa expressão... vou lá acima buscar a máquina para te tirar uma foto. Estás tão linda, meu amor.

E levantaste-te num ápice e eu tive de sorrir achando que naquele instante estragara o momento e a expressão. Quando me olhaste já de pé fizeste cara de amuado e voltaste a sentar-te.

- O que é que querias, achas que era capaz de manter a mesma expressão durante tanto tempo? Vá lá, não fiques triste comigo... - murmurei baixinho fixando-me naqueles olhos negros que me enfeitiçavam sempre que os olhava.

Alheios às pessoas que entravam e saíam do café naquele quase anoitecer de uma noite de Verão algures a norte, estávamos nós dois, sentados numa mesa circular encostada à parede. Fizemos promessas de amor eterno, lembras-te? Como se tal fosse possível.

Ainda hoje recordo este momento como se fosse de agora... e já passou tanto tempo. Tenho saudades de ti, de vez em quando padeço deste síndrome se é que lhe posso chamar assim.

Nunca mais voltei à cidade que nos acolheu nesse Verão algures a norte, só sei que tem um rio de águas mansas onde ficaram eternizadas  promessas e juras de um amor imenso.

 

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publicado por ónix às 01:21

Champanhe e palavras

publicado por ónix, em 29.12.10

Depois de tantos anos voltámos a ter uma conversa banal de café que me fez pensar que não devia ter desistido de ti. São mesmo assim as conversas de café e então quando são fora de horas...foi ínsipido o meu lutar por ti mas o senhor orgulho interferiu e eu deixei-te ir livre de tudo. Qando a conversa acabou, a conversa de café que tivémos passados tantos anos, sentei-me nos degraus de um lugar qualquer, puxei de um cigarro, o derradeiro, e um turbilhão de ideias cruzadas e confusas invadiu a minha mente sedenta de paz. E voltaram os porquês sem resposta, ao fim e ao cabo na vida são mais os porquês que as respostas para eles. Quando acabei o cigarro espezinhei-o com o bico da bota porque a minha vontade era o tempo e perguntar-lhe porquê. Perguntar-lhe o que fez de mim, perguntar-lhe o que fez de ti, perguntar-lhe o que nos fez a nós. Aposto que não tinha resposta para tantos porquês num só.

 Mas deixemo-nos de lamentações. Brindemos a mais um ano que se aproxima e vamos beber champanhe e comer passas e mais aquelas coisas todas que fazem parte. E que se aproveite o momento.

 

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publicado por ónix às 00:17

Angel

publicado por ónix, em 07.12.10

Partiste numa viagem sem regresso, nem perguntaste se podias. A notícia chegou de forma cruel e impiedosa provocando-me uma dor profunda  acompanhada de imensos porquês silenciosos. Recuo no tempo e vejo-te a entrar na sala no primeiro dia de escola com esse teu bibe amarelo, uns olhos negros assustados e poucos sorrisos para dar. Dotado de uma inteligência invulgar aprendeste as primeiras lições de coisas e de vida. Preparei-te em imensos áreas só não te preparei para um caminho sem saída. Cresceste e deixei de te ver como é normal acontecer na vida... cada um vai seguindo o seu caminho mas ao longo dos anos fui sabendo que terias todo o sucesso no teu futuro.

O meu coração continua aflito e as lágrimas não conseguem deixar de rolar enraivecidas e perturbantes quando penso em ti e te relembro quando o teu olhar ainda ditava inocência.

Partiste numa viagem sem regresso e por vontade própria cumpriu-se assim o destino. O teu... demasiado curto.

E fazem-se as perguntas habituais... quem era, o que fazia, filho de quem?

E eu penso...o que interessa? Nada. Idade? Vinte... e o meu coração chora.

 

Para o T. com saudade

 

 

Pensei muito, antes de escrever estas palavras sentidas. Não sabia se devia mas ele falou mais alto. Às vezes devemos seguir as coisas do coração.

 

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publicado por ónix às 22:11

O Filme

publicado por ónix, em 04.12.10

Hoje revi o filme. Amei-o ainda mais desde a primeira vez que o vi. Fez-me pensar na vida e na sua essência, nas bestas humanas que vagueiam impunes por aí, na corrupção que infecta a nossa sociedade, na esperança que não quer morrer, na eterna e forte amizade que pode unir duas pessoas. Senti as mais variadas emoções ao revê-lo, era bem capaz de o ver vezes sem conta. E adorei-o também em parte por causa deste senhor,  pelas suas expressões que me tocam a alma, pelo seu enorme talento, pelo seu olhar profundo, pela sua voz maravilhosa e inconfundível. Há já algum tempo tinha querido escrever sobre ele mas a inspiração faltou. Fi-lo hoje. Calhou bem.

 

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publicado por ónix às 19:36

Em silêncio

publicado por ónix, em 18.11.10

Quisera silenciar as vozes do mundo, encostar a cabeça ternamente no teu ombro e ler-te os pensamentos em segredo!

 

E a gargalhada desprendida de ti quebrou a ternura do momento.

 

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publicado por ónix às 22:38

Porque me apetece

publicado por ónix, em 31.10.10

Esta noite vou dançar até me cansar. Depois sorrateiramente esgueiro-me para as profundezas de um lugar qualquer e vou ficar assim. Desdentada, com o olhar esgazeado e a soltar gargalhadas maquiavélicas que entoam na noite escura e fria. Seguidamente procuro avidamente alguém de nome Sócrates e estendo-lhe a bela da maçã... pode ser que ele morda o isco.

 

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publicado por ónix às 19:05

Ela

publicado por ónix, em 10.10.10

 

Pouco passava da uma da tarde quando ela apareceu, suja, desgrenhada apesar do cabelo curto, maltrapilha e  com um cheiro bem pouco agradável quando se aproximou. Já a tinha visto pelo café que frequento. Costumava sentar-se numa mesa e falava umas vezes sozinha outras vezes para mim, pois a esplanada à hora que vou tomar café não tem praticamente ninguém. Já tinha notado que não era cem por cento normal apesar de nos seus discursos infindáveis dizer coisas acertadas.

Naquele dia ao aproximar-se, olhou para a cadeira vazia em frente à minha e deixou cair o corpo pesado sem pedir licença. Fiquei de imediato bem chateada porque queria estar sozinha a ler e porque o cheiro que dela emanava era quase insuportável. No entanto nada disse e de óculos escuros e cabeça baixa continuei a minha leitura.

Foi então que começou a falar para não mais se calar até à minha saída do café. Falou e voltou a falar na sua linguagem atabalhoada fazendo-me perguntas pelo meio às quais eu respondia abanando a cabeça sem a levantar e sem sequer olhar para ela. Metade das coisas que disse ,confesso que nem as ouvi, mas eis que sem mais nem porquê me pergunta se sei o preço de um ice tea. Respondo que não entre dentes. Sem hesitar, diz:

- Pois... acho que são setenta cêntimos... - contou as moedas que tinha na mão. - Sabe menina? Recebo trezentos euros de reforma e não tenho água nem luz em casa...

Continuou a falar mas eu deixei de a ouvir e pela primeira vez levantei a cabeça e olhei-a. Senti um aperto no coração sem conseguir sequer imaginar uma casa sem luz nem água pensando de imediato na minha, apetrechada com todo o conforto. Continuou a falar e a olhar em frente, e falou, falou, falou. Baixei de novo os olhos para a revista e compreendi as suas roupas, o seu cheiro, a tristeza que não aparentava.

Eis que sai uma senhora do café, a meu ver penteada e vestida de forma banal, mas que não lhe passou de todo despercebida.

- Bonita, aquela... oh menina, se eu 'tivesse assim vestida e se tivesse assim o cabelo também ficava bonita... de certeza.

Com algumas dúvidas levantei a cabeça para a olhar quando esbarrei nos seus olhos que me fitavam pela primeira vez. Olhos de um azul cristalino, de um azul difícil de descrever, de um azul quase impossível de alcançar. Aqueles olhos ao pé dos meus castanhos mais que banais... nem vale a pena comentar. Observei-lhe um nariz perfeito e acho que naquele momento as dúvidas se dissiparam. Quem sabe...

De repente levanta-se. Diz que vai comprar o ice tea. Volta entretanto, senta-se e comenta que tem de ficar à espera da camioneta que a levará a casa. Uma casa sem água, sem luz e sabe-se lá mais o quê.

Olho para o relógio... está na hora de voltar ao trabalho. Levanto-me, olho-a mais uma vez, mergulho no mar dos seus olhos e balbucio um boa-tarde pouco perceptível.

Dirijo-me ao carro, entro e fico a pensar. Na lição de vida que tinha acabado de receber, no post que iria fazer sobre ela, no ice tea que lhe devia ter pago.

 

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publicado por ónix às 22:43

Danças?

publicado por ónix, em 26.09.10

 

Tenho saudades de dançar contigo... bem juntinha a ti a ouvir o bater descompassado do teu coração e sem querer saber dos problemas do mundo, da mesquinhez das pessoas, dos horários para cumprir e do levantar cedo, do trabalho que chateia e cansa a mente, do tempo e do frio que há-de vir.

Era sempre tão bom dançar contigo... sentia-me quentinha, protegida, esquecida de mim.

 

Danças comigo mais uma vez? Nem que seja ao sabor de palavras...

 

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publicado por ónix às 00:39

Entardecendo devagar

publicado por ónix, em 01.09.10

 

Estou na varanda de um sexto andar qualquer a fumar o meu cigarro ( não devia ) e observo. As luzes da cidade que em breve se irão acender, as pessoas que passeiam deixando um rasto de burburinho incomodativo, os barcos na marina atracados nas águas que vão ondulando suavemente, o mar lá ao fundo, o horizonte. Sempre adorei o cair da tarde na praia. Banal? Pouco me importa. Continuo a adorar. E o horizonte...perco-me nele. Belo demais. Traçado com régua e pintado com tinta de uma palette de cores que ninguém consegue definir. Deixo-me ficar a observar e absorvo o momento.

E sinto-me revigorada.

 

19 Agosto 2010

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publicado por ónix às 23:47

Caminhos

publicado por ónix, em 07.08.10

 

Voltei a abrir o móvel da sala e voltei a pegar com todo o cuidado na caixinha de madeira onde dormem tranquilamente as tuas cartas. Desta vez li-as todas uma por uma e deixei as gargalhadas fluirem. É impossível ler o que escreveste no passado sem rir com aquela vontade espontânea. Não sei quanto tempo estive assim, apenas sei que quando voltei a guardá-las as risadas que invadiram o meu espaço deram lugar à nostalgia. Não gosto nada de sentir saudades. Levantei-me num ápice, pus a roupa mais bonita que encontrei, calcei os melhores sapatos e não, não pintei os lábios de vermelho, saí para a rua e dirigi-me ao parqueamento. Entrei no carro e olhei para os três cd's inertes em cima do banco e entre Iron Maiden, The Sisters of Mercy e Reamon decidi-me pelo último. E com a música em decibéis mais p'ro alto que p'ro baixo, palmilhei alguns kilómetros sem saber bem por onde andei. Senti-me livre e com forças para continuar. Ao regressar a casa respirei fundo e interiorizei que a vida é fácil de viver... há sim que saber aproveitá-la até ao tutano e viver os momentos que nos fazem felizes ainda que sem sabermos.

 

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publicado por ónix às 23:42

Years

publicado por ónix, em 27.07.10

Não queria o passar dos anos. Mas se tiver de ser que seja devagarinho sem deixar mácula.

 

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publicado por ónix às 23:23

Fim de tarde

publicado por ónix, em 18.07.10

Estou em casa neste fim de tarde quente a ver o mar pela janela. O nosso mar. Fui logo escolher a praia que tem este mar onde foram construídos momentos que irão ficar para sempre. Há quem diga que nada é para sempre. Discordo.

Continuo a olhar o mar, a observar o sol que desce devagarinho no horizonte. Nas águas que vão ondulando ao sabor da brisa suave moram as minhas lembranças boas. Se este mar pudesse murmurar pedaços do meu passado... quem o escutasse ficaria absorto pelas histórias que ele teria para contar.

O mar olha agora para mim e eu olho para ele numa cumplicidade que só os dois entendemos. Continuo a olhá-lo através da vidraça da janela da casa que me acolhe. Queria ficar aqui eternamente e pedir a este mar azul que leve nas suas ondas envergonhadas todas as lembranças e memórias de uma felicidade vivida em toda a sua plenitude e agora ausente.

 

E quem passa por aqui e vai lendo o que escrevo deve pensar, esta ónix escreve sempre sobre o mesmo, bate sempre na mesma tecla.

E eu penso, quem não gostar que vire a página.

 

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publicado por ónix às 19:22

Reencontros

publicado por ónix, em 12.07.10

Fui passar o fim de semana à praia. Reencontrei o mar. E rencontrei-me a mim. Passaram serenos os dias e devia ser sempre assim. Houve banhos de sol, conversas agradáveis de esplanada por entre cigarros e cafés, gargalhadas dadas com aquela vontade, jantares regados com vinho verde e confissões. Não me apetecia de todo voltar para a monotonia dos dias. Mas estou feliz. O mar espera por mim. Vou voltar muito em breve. Mais cedo do que ele pensa.

 

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publicado por ónix às 23:46

Palavras...somente

publicado por ónix, em 12.06.10

 

Sabes? Estas palavras são para ti. Quem sabe não as lerás um dia.

 

Estou sem sono. Vagueio calma pela casa. Não quero pensar. Não consigo evitar. E deixo a calma afastar-se devagarinho dando lugar à raiva de querer e não querer. Penso em ti, que posso fazer? E recordo... a ti, a mim e aos momentos inesquecíveis que passámos. Os tais momentos bons de que é feita a vida. Houve alguém que disse um dia...olha,  pensa nos momentos maus. Mas eu não consigo. Penso no teu olhar em mim, nos teus abraços em mim, na tua voz.. ai, a tua voz. Foi por ela que me apaixonei, lembras-te?

Será que vai ser sempre assim? Será que te vou lembrar de vez em quando? Será que continuarás a fazer parte de um bocadinho de mim? Será que quando formos bem velhinhos e nos cruzarmos numa rua qualquer da nossa cidade ainda nos vamos olhar? Será que vamos sorrir um para o outro? Será? O quê?

Não quero pensar. Recuso-me a pensar no futuro. Continuo a vaguear pela casa. E sinto-me feliz com o que construí e pelo que sou. Engraçado, a calma voltou. Com pézinhos de lã.

 

Sabes? Estas palavras continuam a ser para ti. Sei bem que nunca as irás ler. Ainda bem!

Lamechices, irias pensar!

 

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publicado por ónix às 00:46

Hoje

publicado por ónix, em 17.05.10

Gosto de viver um dia de cada vez e bem devagarinho como se o dia seguinte ficasse retido nas teias do tempo. A vida ensinou-me a pensar assim. Recordar o passado eu não gosto e tentar imaginar o futuro é quase impensável e não me atrai de todo. Por isso gosto de absorver cada momento do hoje porque é hoje que aqui estou, é hoje que grito o que sinto, é hoje que choro ou rio consoante a minha vontade e é hoje e agora que vivo com aquela intensidade todos os momentos que constituem a essência da vida.

 

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publicado por ónix às 22:25

Diferenças

publicado por ónix, em 05.05.10

Às vezes dou por mim a pensar que gostava que a minha vida tivesse sido diferente. Às vezes dou por mim a imaginar qual seria o meu caminho se eu fosse uma pessoa diferente. E apesar de gostar da mulher que sou por vezes sinto que gostava mesmo de ser aquela mulher diferente. Porquê? Porque tenho uma necessidade desmedida de ter uma outra vida... penso eu, às vezes. E durante essas vezes em que penso na vida diferente que poderia ter, sinto que não sei mais nada.

 

Continuo a amar rosas brancas... as mais belas de entre todas.

 

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publicado por ónix às 23:16

Mudar de vida (?)

publicado por ónix, em 24.04.10

 

Mudar de casa não é de todo mudar de vida mas sim mudar um pouco o rumo certinho e aprumado da nossa existência. E não deixa de ser um pesadelo também. O ficar de coração nas mãos quando se contrata via telefone uma empresa de mudanças e se nos depara no dia combinado uma carripana a cair de podre e com a traseira completamente estampada mas que ao fim do dia nos deixa a meditar...apesar daquelas cinco horas intermináveis, depara-se-nos um trabalho meticuloso que não deixa mossa. Leva-me a acreditar cada vez mais que a aparência não interessa mesmo nada. Depois vieram os apêndices... o transportar os cacarecos que parecem não ter fim, o pedido para me ser desligada a tv e net cabo, pedido esse que foi completamente ignorado para nos obrigarem a pagar serviços que jão não estamos a usufruir há mais de um mês, o pedido de nova ligação que também demorou a concretizar, a instalação que demorou apenas três horas, as correrias para o banco e para  o cartório e mais não digo porque senão fazia deste post um verdadeiro testamento.

Deixei para trás momentos bem passados na casa que se encontra agora vazia e fria. Restam-lhe algumas memórias e uma placa que diz "vende-se". Mas não sinto saudades. Adoro o meu novo espaço e é nele que quero construir novas alegrias e novos sorrisos.

 

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publicado por ónix às 00:18

Destino

publicado por ónix, em 14.03.10

São imensas as vezes que me questiono acerca do destino de cada um. Estará  delineado ou fazêmo-lo nós próprios? Acredito que está bem traçado desde o primeiro segundo em que soltamos aquelas lágrimas de choro aflitivo para o mundo. É tudo tão singular e sinistro esta coisa do destino. Com toda a certeza,se algo de terrível nos acontece não somos nós que queremos... é tudo culpa dele, esse malandro que nos prega partidas de fazer sangrar o coração.

Hoje parei para meditar sobre isto, quando mais uma vez estive a sentir e a ver fotografias do passado e de nós dois.

Fomos tão felizes e vivemos uma história tão bonita e profunda que merecia ser vivida a vida inteira. Só que o  destino não quis. Porque seria?

Coitado do meu coração! Solta lamentos de vez em quando e quer o meu destino que se mantenha preso ao passado, ainda que por momentos... momentos que fazem doer mas que passam dentro de pouco tempo,como uma brisa suave que me acaricia para desaparecer logo em seguida.

 

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publicado por ónix às 22:30

Ondas

publicado por ónix, em 28.02.10

Atraem-me as ondas de um mar furioso. Despertam-me os sentidos e em simultâneo acalma-me o coração o som do seu marulho. Quero ficar aqui bem tranquila, sentada na areia fria a olhar com indefinível paixão este mar. E enquanto fixo cada onda agitada que vai e vem sem destino aparente, lembro-me de ti. Não vês como te quero?

Mas tu não me ouves... és como aquela onda que vem e volta a ir num corropio constante e acaba sempre por não ficar.

 

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publicado por ónix às 23:39

Ónix

publicado por ónix, em 16.02.10

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E é assim a Ónix.... a mulher eternamente preocupada com os males do mundo, a mulher que gosta de escrever no seu "Reptos", a mulher que faz dos princípios e valores com que foi educada os seus alicerces, a mulher que conseguiu ultrapassar aquelas fases por vezes complicadas, a mulher que ama acima de tudo e todos as mulheres da sua família, a mulher que vive um dia de cada vez , a mulher que já teve bons espaços de tempo na vida, a mulher que chora com facilidade, a mulher orgulhosa e teimosa, a mulher que tem medo de envelhecer, a mulher que odeia a chuva e o frio, a mulher que preserva e conserva os seus amigos e por fim a mulher que adora sorrir nos momentos de felicidade pois é neles que nos devemos encostar e seguir em frente sempre de cabeça erguida.

 

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publicado por ónix às 16:26

Histórias

publicado por ónix, em 01.02.10

Esta noite era bem capaz de me enroscar a ti. A noite convida a estas coisas. Depois, como quem sussurra um segredo contava-te histórias de amor e liberdade.

Tu deixavas-te ficar enroscado a mim e ficavas a escutar de coração aquietado aquelas histórias de amor e liberdade.

Adormecíamos enroscados em nós a sonhar com histórias de amor e liberdade.

Pela manhã quando o sol começasse a raiar com timidez, acordávamos... tu enroscado em mim, eu enroscada em ti e fazíamos da história de nós dois a mais bela história de amor e liberdade!

 

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publicado por ónix às 21:18

Reflexos II

publicado por ónix, em 26.01.10

Hoje olhei-me ao espelho e nele vi reflectida a imagem da mulher que sou. Reparei no meu olhar sonhador e sorri. Concentrei-me no sorriso... é transparente como as águas límpidas de um rio. Continuo a olhar-me e relembro a menina que fui e olho fixamente a mulher que sou. E penso no que ganhei ao longo dos anos, ao longo da vida. E foram tantas as coisas ganhas... bem mais do que às vezes imagino.

Ganhei vontade de lutar por uma vida digna e mais justa, ganhei amizades insubstituíveis por vezes difíceis de conquistar, ganhei aquele amor imensurável de todos os que são parte de mim e ganhei sobretudo a capacidade de sonhar e alcançar!

 

Para o Caravaggio... foi quem me incentivou a escrever este repto.

 

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publicado por ónix às 23:06

Reflexos

publicado por ónix, em 13.01.10

Daqui a alguns anos quando me olhar ao espelho e verificar com desilusão a imagem que irá reflectir, vou passar a minha velha mão por cada ruga vincada no meu rosto. Vou reparar de certeza no meu olhar cansado e triste e no sorriso ainda sincero e genuíno que  com toda a certeza irei manter. Não queria de todo envelhecer, o passar do tempo faz a minha alma chorar e soltar gemidos de angústia.

Provavelmente continuarei a olhar a imagem reflectida num espelho que não mente e apesar do passar dos anos sei que vou gostar imenso da mulher que fui, a mulher  que travou batalhas em prol da justiça e perdeu, a mulher que  se empenhou com garra pelos direitos de quem sofre e perdeu, a mulher que durante toda  a sua vida quis lutar por um Mundo melhor. E perdeu!

 

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publicado por ónix às 22:52

Última noite

publicado por ónix, em 02.01.10

Ela veio de longe feliz e com um brilho no olhar. Ao chegar correu de encontro às duas amigas que a esperavam com alguma ansiedade e alegria. Parecia quase surreal sair da vila que a acolhia no dia a dia e percorrer todos aqueles quilómetros para passar uma noite... aquela que é considerada especial por ser a última. Após a euforia do reencontro, sucederam-se os abraços e cumprimentos da praxe. Dirigiram-se então à velhinha praça da cidade agora restaurada e encantadora tendo como vista principal o imponente castelo iluminado. Iriam juntar-se a outros onze e enquanto aguardavam a sua chegada, sentaram-se em volta da mesa do café e entre martinis e cigarros para todos os gostos surgiram mais uma vez as confissões que aos poucos iam sendo silenciadas à medida que ia chegando quem faltava para o jantar daquela noite... a última do ano.

Estando os catorze acomodados confortavelmente no restaurante do hotel da velhinha praça, sucederam-se as conversas, os sorrisinhos,os olhares cúmplices,as piadas, as gargalhadas e os brindes... ai os malandros dos brindes que pareciam não ter fim. Após um jantar bem animado dirigiram-se os catorze para a praça molhada e gélida para brindar mais uma vez ao novo ano que começava. Brinde a isto, brinde aquilo, brinde ao aqueloutro rumaram finalmente ao acolhedor café concerto situado bem juntinho à velha marisqueira que ainda hoje guarda no mais profundo silêncio, as confissões de uma noite fria e chuvosa. E foi naquele lugar aprazível que passaram o resto da noite... a rir, a conversar, a cantar, a pular e a dançar ao som das saudosas músicas dos anos oitenta, anos que  já consideramos tão distantes

Foi uma noite como tantas outras mas que teimamos em considerar especial por ser a última.

E esta foi especial... muito!Pura e simplesmente por ter sido com quem foi!

 

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publicado por ónix às 00:27

Freedom

publicado por ónix, em 21.12.09

Amo a liberdade...agarrar no meu carro que tem aquela cor que eu venero e partir para onde bem quero e quando quero. São estas vontades concretizadas que me dão força para seguir em frente. Liberdade de movimentos, de sentimentos e de vontades.

Por acaso apetecia-me hoje e agora vaguear pela noite fria e chuvosa e parar à tua porta apesar de não saber para onde me direccionar.Encontrada a direcção, apetecia-me bater e ver-te aparecer. Depois não sei, talvez me deixasses dizer-te as palavras... aquelas, sabes?

A seguir voltava a mergulhar na noite escura e gelada regressando devagarinho para o meu cantinho acolhedor e quentinho. Aí, instalada confortavelmente na sala aquecida,bebericava um cacau a fervilhar de emoções e comia uma ou duas filhós p'ra me adoçar o coração.

 

Então sentir-me-ia livre daquilo que queria dizer e  seria dito, livre de um passado que às vezes entra sem avisar, livre do que penso ou não penso sentir por ti!

 

Amo a liberdade!

 

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publicado por ónix às 23:50

Coisas da vida

publicado por ónix, em 13.12.09

Quando se remexe no passado, as memórias vão regressando de mansinho e vão deixando algumas marcas de saudade. Voltei a ver-te passados tantos anos, em circunstâncias pouco felizes. E voltei a ouvir a tua voz grave, voltei a ouvir as tuas gargalhadas há tanto silenciadas, voltei a observar a medo o teu sorriso de menino.

Julgava que o amor não tinha cor... mas tem! Reflectiu-se em mim no negro do teu olhar.

 

Se te amei? Incondicionalmente.

Se te amo? Não sei.

Se te voltarei a amar? ...

 

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publicado por ónix às 20:47

A quem passa...

publicado por ónix, em 02.12.09

Faz hoje um ano que escrevi o meu primeiro post... faz hoje um ano que nasceu o meu Reptos. Tive incentivos por parte da mana Ametista, pois nunca dei grande importância a este mundo virtual. Não estou de todo arrependida. É bom escrever coisas que a alma nos dita e é bom saber que há alguém do outro lado que gosta de nos ler.

Criei algumas amizades virtuais, conheci duas delas pessoalmente... logo eu que era tão céptica. E foi uma experiência maravilhosa, diferente de qualquer outra que possa existir.

Quero agradecer a todos os que vão passando por aqui e gostam das minhas palavras.

Obrigada a quem se cruzou neste meu caminho, a quem deixa uma palavra de amizade, uma palavra de coragem por vezes, a quem me faz sorrir e soltar gargalhadas à distância. Vou continuar por aqui a escrever tudo aquilo que me apetecer e com a mesma vontade de há um ano atrás.

Continuarei, até que o tempo mo permita!

 

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publicado por ónix às 22:45

Confissões

publicado por ónix, em 29.11.09

Eram três mulheres, cada uma diferente da outra e com  perspectivas desiguais perante a vida. Saíram do bar onde conviveram com alguns amigos, dispostas a dirigirem-se a casa a fim de descansarem o corpo e as mágoas.

Chovia copiosamente. Não convidava de todo a uma corrida até aos respectivos carros. Deixaram-se ficar debaixo do telheiro da velha marisqueira, apesar da noite gélida e chuvosa. Surgiram espontâneamente as confissões da alma. O que cada uma sentia. O que cada uma pensava. O que cada uma sofria. O que cada uma gemia.

A chuva ia caindo com mais força. Continuaram as três debaixo daquele telheiro que escutou todas as confissões e todos os segredos. Nem sequer ligavam a quem passava e as olhava.

Por elas, ficariam ali até de manhã a partilhar e a aliviar tudo o que até agora se encontrava  bem fechado na mais profunda intimidade.

Mas a noite falou mais alto.

Cada uma seguiu o seu destino. Com mágoas de alma, mas confiantes no futuro e na amizade que as unia.

 

A chuva não parava de cair!

 

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publicado por ónix às 22:31

Mulher coragem

publicado por ónix, em 16.11.09

Gostava de ser mulher coragem e partir além fronteiras deixando tudo para trás.

Aí, se fosse mulher coragem ajudaria corações pequenos mas tão grandes em sofrer e aninhava no meu colo meninos que nunca o foram.

Então, como mulher coragem que era, sentir-me-ia plena de tudo.

 

Mas não sou. Mulher,sim... coragem, não!

 

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publicado por ónix às 21:46

Maré de azar

publicado por ónix, em 03.11.09

Ontem ao sair da garagem com o carro senti-o de imediato a fugir-me para o lado direito.Como mulher  que sou e perfeitamente entendida nestas lides,automaticamente pensei "Direcção desalinhada. Mas que raio, o carro tem meia dúzia de meses e já está neste estado?".

À medida que aumentava a velocidade mais o fulano se me escapava para a direita. "Mau! Deixa-me mas é reduzir a velocidade antes que aconteça p'ra aqui algo pior".Depois de percorrida uma via principal e ao entrar na estrada secundária que me levaria ao local de trabalho, percorro mais ou menos duzentos metros e eis que sinto a bela da jante roçar o alcatrão. Já enervada, encosto numa bifurcaçãozita que definitivamente me esperava com aquele sorriso cínico ao canto da boca e a esfregar as mãozinhas de contentamento.Saio acelerada do carro e entre a desolação e o desepero verifico que o pneu da frente,do lado direito pois claro, estava completamente em baixo. " Boa! Um furo. E agora?" Começo a olhar a estrada... pessoas a conduzirem carros e camiões num vaivém constante e a uma velocidade algures entre o moderada e alta, vão olhando mas não param. Começo a desesperar, a falar sozinha e os lábios começam a tremelicar. "Não vais chorar agora. Não te ajuda em nada". Telefono para o trabalho para informar que iria chegar atrasada. Telefono para casa, mas ninguém atende. Volto a olhar os carros e os camiões,a mente num turbilhão..."Peço ajuda? E se pára um camião e sai de lá disparado um gajo com uma bigodaça e sem um dente, qual personagem tirada do gato preto, gato branco do Kusturica"? Tal imagem aterradora provoca-me um arrepio na espinha. Enfio-me dentro do carro e tranco-me. Meio assustada e a tremer, tamanhos eram os nervos, telefono ao meu melhor amigo mas sem grande esperança pois eram nove da manhã e também ele ia começar o seu belo dia de trabalho. Atende. A sua resposta foi um bálsamo p'ra mim. "Estás com sorte. Tenho quem me substitua. Aguenta um bocadinho que vou já p'ra aí ".

Depois, foi o mudar do pneu e pensar o quanto devo a este amigo especial. Pessoas como ele estão praticamente extintas e sinto-me uma mulher afortunada pela sua presença naqueles meus momentos... os bons e os menos bons.

Bem hajas, querido amigo. Obrigada por fazeres parte da minha vida!

 

 

Para o Pjo. Adoro-te, querido amigo.

 

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publicado por ónix às 21:16

Da janela

publicado por ónix, em 21.10.09

 

Aqui, por detrás da janela deste quarto que me detém prisioneira de tudo, olho os carros que vão chegando e partindo, olho o céu de um azul que dá vontade de sorver e sinto o calor do sol que tenta aquecer-me a alma através dos vidros baços e frios.

Presa entre catéteres, antibióticos, comida intragável e gargalhadas histéricas e estrondosas às tantas da matina que não deixam sonhar quem precisa, vou soltando uns ais pianíssimos que só o meu coraçãozito inquieto consegue escutar.

Suspiro mais alto. Quero sair !

 

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publicado por ónix às 19:59

Fall

publicado por ónix, em 10.10.09

Hoje fui a casa da minha mãe que fica na avenida que tem castanheiros, que tem um jardim com flores multicores, que tem uma pérgula com bancos de pedra que convidam a carícias infindas, que tem um rio onde se banham imponentes os patos que vão grasnando e deslizando na mansidão das águas.

Sentei-me nos degraus da entrada da casa da minha mãe e observei a paisagem. As folhas dos castanheiros nos seus tons amarelo e acastanhado baloiçavam ao sabor da brisa e por entre gemidos e murmúrios iam caindo tristes e acabrunhadas.

Invadiu-me uma melancolia que me é peculiar. Bem sei que é esta a estação inspiradora de pintores e poetas, mas eu não gosto. Pressinto o frio que se aproxima e as chuvas que me atormentam.Não gosto do cheiro da terra molhada, não gosto da paisagem fria e cinzenta e gosto ainda menos das folhas secas e estaladiças caídas aos montes pelo chão.

Definitivamente não sinto grande afeição pelo Outono. Fico plena de nostalgia e não gosto de me sentir assim. 

 

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publicado por ónix às 23:32

Voltar...

publicado por ónix, em 24.09.09

 

Sem tempo, contra o tempo e sem vontade.

Absorta em pensamentos absurdos, permanecem as palavras que ficaram por dizer e que nunca te direi.

Uma coisa é certa. Hei-de nascer de novo para te voltar a encontrar!

 

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publicado por ónix às 23:48

Momentos

publicado por ónix, em 30.08.09

Há atitudes na vida que me ferem lentamente, há palavras proferidas na vida que me fazem doer  e há momentos na vida que me fazem tombar. Ergo-me sempre, altiva e cheia de força para recomeçar. Como as árvores. Dizem que morrem de pé.

Gosto de ser como sou, mas há momentos na vida em que não queria ser eu.

São apenas momentos... fugazes e enganadores.

 

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publicado por ónix às 00:57

Vinil

publicado por ónix, em 30.07.09

A minha mãe andou a fazer uma limpeza geral ao sotão da casa da avenida que diga-se de passagem, é bem grande. Arrumações para aqui, alterações acolá, coisas  velhas que se deitam fora,outras que se guardam eis que num dos muitos cantinhos daquele sotão que tem tantas histórias para contar, me deparo com um prato para LP's e Singles que fazia parte de uma aparelhagem que tenho cá em casa, mas que na altura já tinha leitor de cd's. Tirei-lhe algum pó que tinha e antes que fosse para o lixo por engano trouxe-o comigo na certeza de que não iria funcionar. Ao chegar a casa, a ânsia era tanta que comecei de imediato a fazer a ligação e quando ficou tudo prontinho liguei a aparelhagem. O prato de imediato começou a girar e com a boca aberta de espanto deparou-se-me a dúvida - com certeza a agulha já não prestava ou possivelmente estaria partida. Corri até ao móvel da sala e agarrei nos vinis que guardo desde a adolescência que contêm aquelas músicas bem velhinhas que nos fazem recordar momentos preciosos e inesquecíveis. Meio nervosa e ansiosa coloco um LP de uma compilação vinda directamente dos 80's e quando lhe ponho a agulha em cima... incrédula fiquei. Sentei-me no chão e ali fiquei a recordar e a ouvir, a ouvir e a recordar. Depois de um sono atribulado levantei-me por volta das dez ... é tempo de limpezas cá em casa - que sacrifício, Meu Deus. Mas hoje tudo foi diferente. Entre o aspirador, os panos do pó, o limpa vidros, o balde e a esfregona, aí estava eu a dançar frenéticamente ao som de álbuns de vinil que giravam num prato que descansou durante  tantos anos naquele cantinho do sotão da minha mãe.

 

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publicado por ónix às 00:24

Moon

publicado por ónix, em 21.07.09

A lua está tão bonita esta noite, sedutora e imponente. Inspiradora de poetas e pintores, confidente dos amantes enamorados, quantos segredos não terá por revelar! Vou ficar a olhá-la até chegar a inspiração. Depois, se conseguir, vou deixar que cheguem as palavras  diáfanas e voluptuosas e vou escrever o que até agora ninguém escreveu. E quando forem lidas as palavras inspiradas, sintam-nas... amem-nas. Foram escritas com brandura e vontade.

 

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publicado por ónix às 23:24

O livro feito de sonhos

publicado por ónix, em 08.07.09

Um sonho tornado realidade, querida mana!

Que o mundo possa conhecer as tuas belas palavras através do livro tão desejado e tão sonhado!

Agarra as asas... não perdidas, mas conquistadas com essa enorme vontade de vencer e de querer.

Estou feliz e emocionada por ti e pela realidade presente de um sonho de outrora.

Parabéns, manuska!

 

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publicado por ónix às 22:09

Insignificâncias

publicado por ónix, em 23.06.09

 

Hoje fui visitar o meu amigo Zé na esperança de o encontrar melhor. E saí com a esperança a escapar-se-me por entre os dedos. Dele, apenas senti o apertar da sua mão na minha num gesto instintivo ou coincidente. Fugi daquele quarto com uma sensação de impotência incontrolável. Passei pelo átrio em silêncio e em silêncio dirigi-me para o exterior. Tomei a direcção do meu carro e parei... acendi um cigarro e olhei à minha volta. Observei as pessoas, olhei o sol, senti o vento tocar-me o rosto e um turbilhão de pensamentos trespassou-me a alma.

Quantas vezes ficamos enraivecidas porque não há o número daquele vestido lindo que sorri para nós naquela montra, tantas vezes chorámos pela perda de um grande amor, tantos acessos de raiva porque temos um pneu furado e não sabemos o que fazer, tanta vontade de dizer um chorrilho de asneiras porque acabámos de entornar o café em cima das calças brancas acabadas de estrear e mais um acesso de raiva quando partimos aquela peça favorita que enfeitava o móvel lá de casa...

Todas estas pequenas coisas, comparadas com o querer olhar e não poder, querer falar e não conseguir, querer tocar e não sentir... são meras insignificâncias!

 

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publicado por ónix às 22:46

...

publicado por ónix, em 05.06.09

Não queiras partir já, querido amigo. Ainda temos tantas coisas para dizer, tantas gargalhadas para dar, alguns segredos para partilhar.

E que a lágrima que hoje te caiu, no teu sono incompreendido, seja um prenúncio de esperança... de vida... de um recomeço!!

Um abraço intenso para ti... sente-o na tua luta e que regresse brevemente o teu sentir!

 

                                                                                        Dedicado ao Zé Manuel

                                                                    

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publicado por ónix às 22:27

Se...

publicado por ónix, em 02.06.09

Se eu fosse uma onda de um mar travesso e cristalino, enrolava-te a mim e levava-te até à profundeza mais exótica. Ficaria contigo numa quietude sublime e entrelaçada a ti, tocaria de leve os corais mais belos. E deixar-me-ia ficar... de coração apaziguado e afastada de todas as imperfeições do mundo.

 

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publicado por ónix às 23:47

Amigos

publicado por ónix, em 24.05.09

Hoje estava aqui a pensar nos amigos, nos pseudo-amigos, nos conhecidos e afins. Os conhecidos são aqueles a quem dizemos olá, com quem podemos ter uma conversa ocasional de café, mas que não sabem nada sobre nós e vice-versa. Os pseudo-amigos conhecem-nos há bastante tempo, sabem coisas sobre nós, partilham momentos connosco e por circunstâncias da vida (ou não) afastam-se sem deixar rasto, não deixando sequer a ténue hipótese de um telefonema para saber se ainda fazemos parte do mundo. Finalmente existem os amigos, que estão presentes nos momentos bons e nos menos bons, que ouvem os nossos desabafos e choraminguices e que discutem connosco se for necessário. E dou por mim a meditar... conhecidos, há-os aos magotes, pseudo-amigos,há muiiitos - mais do que deveria haver - e amigos, esses que são tão poucos, há que guardar e preservar. Estão em vias de extinção.

 

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publicado por ónix às 00:39

Dream

publicado por ónix, em 12.05.09

Hoje revi-te. Percorri o teu corpo com a ponta dos meus dedos, reli-te na menina dos meus olhos e beijei-te a boca num beijo ardente que me fez estremecer de  paixão. Abracei-te frenéticamente e deixei-me ficar, até cair a noite branda e serena. Não sei quanto tempo fiquei assim, nem me importo. Despertei e olhei em volta. Não te vi. Sorri, sentindo uma força imensa para continuar.

Foste o meu sonho bom... feito de luz e certezas.

 

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publicado por ónix às 23:00

Asas de querer

publicado por ónix, em 04.05.09

Hoje a felicidade bateu devagarinho à minha porta. Entrou sub-repticiamente, apoderou-se de mim e eu deixei. Num murmúrio arrepiante falou-me do teu sonho e do teu sentir. Depois, contou-me um segredo. Irá fazer-te esquecer as "danças" do teu "silêncio"... e as "asas", aquelas que julgavas "perdidas",irão abraçar-te e levar-te até onde tu quiseres, num vôo sonhado e com retorno.

 

Para ti, querida ametista... alcança o sonho e leva-o contigo nas asas do teu querer!

 

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publicado por ónix às 23:03

Cartas

publicado por ónix, em 16.04.09

Hoje, ao abrir o móvel da sala, olhei para ela e achei que não lhe devia tocar. Voltei a olhá-la e a saudade falou mais alto. Peguei nela lentamente e abri-a... a caixinha de madeira onde descansam há tanto tempo as cartas que me escreveste num tempo já passado, quando estava distante em trabalho. As minhas mãos esguias acariciaram cada uma delas... foram-me dedicadas com aquele imenso amor que nos unia! Foram escritas com o teu humor peculiar e faziam-me sorrir à distância, quando me sentia triste e tão longe de ti e de nós. Não as li. Voltei a guardá-las com carinho. Arrumei a caixa. Não voltarei a abri-la proximamente. 

Depois... senti-me melancólica.

 

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publicado por ónix às 23:31

11 de Abril...

publicado por ónix, em 09.04.09

Vou mesmo para junto do mar e no sábado, dia 11 de Abril, não poderei publicar um post deveras especial. Por isso pensei, repensei e Pensando Bem... resolvi publicar hoje com dois dias de antecedência.

Parabéns adiantados,José,e que este dia que é só teu seja passado de uma forma o mais feliz possível e que te presenteiem com todas aquelas coisas boas a que se tem direito nestes dias especiais. Um dia cheio de sorrisos para ti ,obrigada pela tua companhia habitual e pela tua enorme força de viver.

Abraço da cor do mar... afinal é a tua Cor!!!

 

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publicado por ónix às 12:35

Ondas de esperança

publicado por ónix, em 07.04.09

 

Quando chegar ao pé do mar e sentir a areia cálida beijar-me o corpo frágil, vou pedir... às ondas e ao firmamento que me devolvam a esperança que me foi roubada sem eu dar por nada. E quando ela regressar nas asas de uma gaivota, vou agarrá-la com uma força imensa e fechá-la para sempre  na palma da minha mão!

 

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publicado por ónix às 21:22

Depressa

publicado por ónix, em 31.03.09

Quero enviar  para bem longe esta angústia que me contorna e me atrai para a sua teia voraz... quero que o sol volte a brilhar  só para mim e acima de tudo, quero que volte em breve tempo o meu sorrir!!

 

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publicado por ónix às 22:58

Rosas Brancas

publicado por ónix, em 24.03.09

 

Quando o meu espírito se elevar e se enlear com outros tantos, ofereçam-me uma rosa branca, cada um de vós... para aspirar o seu perfume perturbante,tocar as suas pétalas delicadas e olhar até me cansar... a sua cor, essa cor única... que me espanta e me faz suspirar quando a contemplo. De entre todas, sem sombra  de dúvida as mais belas!!

 

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publicado por ónix às 22:06

Enquanto

publicado por ónix, em 18.03.09

Enquanto houver expressões de dor e almas dilaceradas tão cheias de sofrer, e o nosso mundo continuar a deambular através dos tempos qual alma penada que vagueia enlouquecida sem sentido e direcção... o meu pequeno coração continuará atento, inquieto e sem saber o porquê...das coisas que acontecem e  não deviam acontecer!!

 

E seria tão fácil parar e deliberar...

 

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publicado por ónix às 21:51

Irony Dream White

publicado por ónix, em 11.03.09

Hoje entrei numa ourivesaria para comprar um relógio. Tive de imediato uma empatia por um swatch de metal em tons de branco com uma bracelete de aço inoxidável com elos igualmente brancos. Experimentei-o e fiquei desapontada... demasiado largo mas logo o dono me acalmou dizendo que os elos se tiravam de maneira a ficar ajustado ao pulso. Acedi, o senhor enfaixa a bracelete num suporte de plástico p'ro efeito e começa a martelar suavemente... e o meu coração a ficar inquieto. Como aquilo não estava a resultar, as marteladas começaram a soar mais fortemente. "Pois... parece que isto não dá"- disse, e as marteladas sucediam-se agora  mais fortes. Parte-se o suporte de plástico, vai-se buscar outro."Vamos experimentar do outro lado" - tinham que se retirar dois elos de cada lado.Martela e desta vez é bem sucedido. Encaixa os elos e volta ao lado teimoso. E eu a ficar angustiada. "Se calhar não devia ter comprado"-balbuciei. Mais marteladas. "Não se preocupe.Isto vai ficar bem". Aproxima-se a mulher que vai olhando de soslaio e comenta "Não se rale, ele vai conseguir. Não é amor"? Ao ouvir a expressão sorri para dentro. Achei invulgar, nos dias de hoje. As marteladas continuavam e eis que salta um ganchinho que as prendia, p'ro lado de cá do balcão. Apanho-o, entrego-lho e o coração a bater com mais força.Entra um sujeito na loja e pede à senhora um relógio da montra. Pega nele e observa e eu observo-o a ele para me abstrair. Nem queria acreditar, nunca tal me tinha acontecido. Diz  o sujeito que entrou na loja "Quero oferecer este relógio à minha mulher, mas a bracelete... não sei... e se fica larga"? Olhei disfarçadamente, era uma bracelete tipo pulseira com fecho e sem elos, não dava para alterar.E vejo-o assim como quem não quer a coisa, a olhar p'ra mim."Não tarda muito está a pedir-me para experimentar o relógio"- pensei. Bem dito bem feito e mais uma ou duas marteladas."A sra. não se importa de experimentar? É que o seu pulso é mais ou menos como o da minha mulher" Claro que disse que sim  e o coração acelerado por causa das marteladas. Lá experimentei, ficava bem. Agradeceu. Esbocei um sorriso forçado e nervoso. Oiço então o dono..."Já está,estava difícil." E o coração acalmou. Experimentei... impecável e sem efeitos secundários. A mulher aproximou-se. "Vês,amor? Eu sabia que ia correr bem". Desta vez sorri abertamente, devido à expressão e à sensação de alívio. O  dono notou e comentou "Não sei bem o que está a pensar, mas não somos casados. Somos irmãos". "Ahhh! Pois... que giro." Não me saiu mais nada... os nervos tinham tomado conta de mim.E ele continuou "Chama-me assim desde sempre  e não consegue livrar-se do termo." Voltei a sorrir. "Acho muito bem. É bom sinal"- disse. Paguei e saí. Eles a rir talvez por serem simpáticos e  porque lhes comprei um relógio e eu a rir pela expressão e pelo apaziguar do meu coração.

 

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publicado por ónix às 22:37

Noventa e seis...

publicado por ónix, em 02.03.09

Tinha feito noventa e seis anos. Estivémos juntos na esplanada a comemorar a sua longevidade, fumou uma cigarrilha e bebeu um descafeínado. E recordou o passado, contou histórias que nos fizeram rir e regressar a um tempo já longínquo. Agora, enquanto vagueio pela casa, relembro-o com saudade... as férias passadas com imensa alegria na sua casa alugada anualmente em S. Martinho do Porto, as festas dadas com familiares e amigos na sua adorada tertúlia decorada com um gosto peculiar,o cheiro da sua casa acolhedora e do café, sempre que lá entrava para o visitar e algumas vezes pernoitar.Construiu o seu "império" com suor e lágrimas e sem filhos, viu na minha mãe a sua sobrinha predilecta amando-a com um  amor imensurável durante toda a sua vida. Foi casado com a minha querida e saudosa tia Margarida- daí o meu nome- irmã da minha avó, aproveitou a vida em toda a sua plenitude, viajou pelo mundo fora.

Tinha feito noventa e seis anos. Partiu no dia seguinte, de madrugada. Na cama, quentinho... não a sorrir... talvez a sonhar, quem sabe!!

 

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publicado por ónix às 20:49

Lembra-me...

publicado por ónix, em 22.02.09

Não quero que me ames como me amaste, não quero que me olhes como me olhavas, nem quero que me desejes como desejaste.

Lembra-me somente no teu sorrir... e lembra-me também no teu sentir e no teu sonhar... lembra-me como uma carícia infinda, pois é assim que eu te vou lembrar... devagarinho e suavemente, até o tempo consentir!

 

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publicado por ónix às 20:58

Coisas que nos dão prazer e não temos de pagar

publicado por ónix, em 19.02.09

 

Passei pelo blog do José A que desafia quem anda por lá a bisbilhotar. Os meus dez prazeres gratuitos.

 

. Dormir até tarde... nos dias tristes de Inverno.

. Dar gargalhadas... em tom baixo,médio ou alto, conforme a situação.

. Sair à noite... acompanhada dos amigos e entrar num bar com música ao vivo.

. Sentir o sol misturado com  calor... e desfrutar.

. Fumar um cigarro acompanhado de um café... algures numa esplanada na praia

  a ver o pôr do sol.

. Dar um belo mergulho... numa piscina ou no mar.

. Tomar um duche bem quentinho... e estar lá o tempo que me for permitido.

. Dar um abraço bem apertado... e senti-lo no coração.

. Ouvir música... de preferência rock, pop e metal.

. Escrever no meu blog... e compreender que estou absoluta e completamente

  viciada nele e como tem de  haver sempre um bode expiatório, a culpada disto é

  a mana ametista.

 

E agora faço como o José. Quem passar por aqui... se quiser, entre no desafio. 

 

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publicado por ónix às 20:57

Uma questão de gosto

publicado por ónix, em 17.02.09

 

Não gosto de pessoas indiferentes, injustas, cínicas, petulantes, antipáticas, coscuvilheiras, traidoras, traiçoeiras, autoritárias, vaidosas, violentas, egoístas, abrutalhadas, pegajosas, babosas, malcheirosas, desmazeladas, insensíveis, influenciáveis, indecisas, depreciativas e desdenhosas. Todos aqueles cuja maneira de ser  contradiga  o que acima foi mencionado, eu gosto.

 

Enquanto escrevi este post comi uns quantos after eight, qual  maravilhoso chocolate negro e estaladiço que  enleado com o sabor a menta, é francamente divinal. Ajudou a adoçar o amargo do meu sentir.

 

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publicado por ónix às 20:42

Notícias a granel

publicado por ónix, em 11.02.09

 

Quando o Telejornal,o Jornal 2, o Jornal da Noite e o Jornal Nacional não fizerem a sua abertura com - são os piores fogos de todos os tempos e agora as cheias...novo bombardeamento desta vez por parte de Israel, atingindo a Faixa de Gaza e provocando... deu-se hoje um choque frontal entre dois veículos ligeiros, que provocou a morte de... diáriamente morrem crianças em Angola por má nutrição... deu-se esta manhã uma derrocada de um prédio centenário em Lisboa, que causou a morte de... mais um caso de corrupção detectado em ... a igreja mostra-se contra a eutanásia afirmando que a vida é um direito de cada um, mesmo que o sofrimento... - eu compro vários rockets, aqueles cartuchinhos conhecidos como "foguetes", lanço-os, apanho as canas e dou pulinhos de contentamento cheia de  felicidade estampada no rosto!

 

Como tal não vai acontecer, um dia destes deixo de ouvir notícias! Chamem-me ignorante!

 

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publicado por ónix às 21:30

Não conseguir

publicado por ónix, em 07.02.09

 

Dava tudo p'ra não ver amargura no olhar dos meninos do Universo inteiro, que choram sem saber porquê.

Mas quem sou eu? Tão pequena e abandonada num mundo tão distante da perfeição!

Dava tudo, mas não consigo. E quando não consigo... sinto fraqueza em mim e repulsa por quem pode e não se interessa!!!

 

Odeio não conseguir!!!

 

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publicado por ónix às 22:34

Certezas do meu sentir

publicado por ónix, em 03.02.09

 

Ainda me lembro daquele dia... estavas atrás de mim com as mãos na minha cintura e a cabeça deitada no meu ombro." Não me vais deixar, pois não"? Tu não me respondeste e deixaste-me. Depois tive saudades dos lugares, dos momentos, das carícias, das gargalhadas e de tudo.

Chorei até secar, cheguei a ver-te onde tu não estavas e  procurei-te sem te encontrar. E vindo de ti, só mesmo o silêncio e sempre achei o silêncio o pior dos desesperos. E foi assim... naturalmente , cada um seguiu o seu caminho. Hoje sou feliz, nem tão pouco sei como vai a tua vida... mas quando te recordo e não gosto de o fazer, faço-o com carinho, acompanhado de  um obrigada.

Por mim e por ti, tornei-me numa pessoa melhor!!

 

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publicado por ónix às 21:58

Peripécias na Cidade Luz

publicado por ónix, em 02.02.09

 

Aqui há uns bons anos, fui a Paris com três colegas de trabalho. A viagem foi-nos proporcionada pela escola onde trabalhava, a um  preço módico e com  a Instituição a tratar de tudo, inclusive a marcação do hotel. Lá fomos nós, todas contentinhas  a abanar o rabinho de felicidade. A viagem correu bem e finalmente em terra, apanhámos o autocarro p'ro hotel. Quando comecei a olhar p'ras ruas que ia percorrendo e onde a carripana acabou o seu percurso, comecei a sentir o coração apertadito. "Mas... Paris é isto?" As ruelas eram estreitas, velhas, sem nenhum encanto e ainda por cima, meio imundas.

Descemos do autocarro e eis-nos em frente ao hotel, decidindo de imediato ir comprar fruta e iogurtes. Armada em boa, comecei de imediato a treinar o meu francês. "Ao menos isso... ao menos que me sinta na Cidade Luz a falar o meu francês fluente". Eu e outra colega tinhamos facilidade no desempenho da língua, ao contrário das outras duas que utilizavam uma espécie de  linguagem gestual tão peculiar, que aquilo era rir até me doerem os zigomas.

Preparávamo-nos p'ra entrar numa lojita que vendia o que pretendíamos e estando ainda nos treinos  para fazer o pedido e pagar, eis que o dono que se encontrava à porta abre a boca e diz:"Não vale a pena treinarem o francês. Nós somos portugueses e já vivemos aqui...."

Foi a derrocada! Deixei de o ouvir e quase de o  ver, a minha boca escancarada qual peixe fora de água, as minhas ideias num turbilhão. "Não acredito! Que desgraça tão grande! Mas afinal o que é isto? Paris ou Lisboa?"

Quase passada a desilusão toca a entrar no hotel. Nova derrocada! Estávamos cercadas por dezenas de cachopada de excursões, cada um falando a sua língua, aos tropeções em malas e troleys, fazendo lembrar o mercado em dia de lotação esgotada.

Bem, a coisa melhorou no dia seguinte quando fomos passear ao Champ de Mars rumo à Torre Eiffel, interrompendo a caminhada para uma das colegas ir a uma loja comprar não sei o quê. Como nunca mais aparecia fomos ao seu encontro e fomos dar com a pobrezita lavada em lágrimas porque tinha sido enganada no troco( a moeda ainda era o franco) e qual quadro patético, olhava para as moeditas que tinha na mão pedindo encarecidamente a nossa ajuda."Então não ajuda? Esquece lá isso... amanhã  já percebemos mais disto." E foi verdade.

O terceiro dia, esse sim, foi o máximo.Yupiii! Eurodisney com elas... agora, Disneyland Paris! Bem, quando entrámos parecíamos umas parolitas, de boca aberta a olhar p'ra aquilo... era tudo tão lindo! Tudo corria sobre rodas, quando nos lembrámos de andar no Space Mountain, a famosa montanha russa, que consiste naquela viagem numa nave espacial hiper possante para ver estrelas cadentes e satélites, em escuridão quase total. "Isto também não deve ir assim a uma velocidade fora do normal ...e bolas já sou crescidinha".

Qual velocidade, qual quê! Que ideia disparatada!  Quando aquilo disparou e começou a acelerar, não sei se vos diga se vos conte.Foi uma viagem interminável, de olhos fechados e boca aberta, a berrar a plenos pulmões, enquanto a amiga que ia a meu lado gritava aos meus ouvidos  que nem uma desalmada "Grita, Guida, grita"...E bem que lhe obedeci. E as estrelas e satélites, viste? Também não. Mas o resto do dia, foi fantástico.

Na última noite e para despedida  resolvemos ir a um piano bar,Le Ciel de Paris, situado no 56º andar do edifício mais alto da cidade - Tour Montparnasse. A vista da cidade toda iluminada era soberba, sem dúvida . Pedimos uma coca-cola p'ra cada uma e para terminar em beleza a nossa estadia na Cidade Luz, quando foi p'ra pagar até nos faltou o ar - mil e cem paus por cada cola( isto em 1997). Toma lá que é p'ra aprenderem!!!

 

A quem teve coragem de ler  este testamento, tiro-lhe o meu chapéu. E logo eu, que não sou apologista de posts extensos!

 

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publicado por ónix às 20:48

Memórias

publicado por ónix, em 01.02.09

Quando entro na casa da avenida, que tem em frente a pérgula e o rio de águas mansas que vão correndo ao sabor do vento... quando entro na casa da minha infância, corro ao seu encontro. Está sentada no seu maple favorito, a ver o seu canal de eleição - o odisseia - e dou por mim a olhá-la com um carinho e um amor infindos. E vêm-me à memória aquelas tardes em que me contava histórias...da sua vida, da sua beleza invulgar, dos momentos tão felizes que viveu, do imenso amor que partilhou com o meu avô, que tão cedo e de forma cruel a vida fez  desaparecer.

Senhora em toda a sua plenitude, mãe, A, amiga...e depois continuo a olhá-la... o cabelo já branco, os olhos de um  azul celeste, os seus oitenta e nove  anos, a sua força de viver incomparável. Que mais poderei dizer? Que a vou adorar incondicionalmente... hoje e sempre!

 

Dedicado à minha querida avó Madalena

 

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publicado por ónix às 01:33

Era uma vez...

publicado por ónix, em 29.01.09

 

Era uma vez um menino de quatro anos... o Tomás.

Um dia, disse-me"Guida, eu não quero crescer"!

E eu fiquei-me assim... pasmada... a olhá-o com uma ternura infinda, sem conseguir argumentar aquelas palavras infinitamente genuínas, ditadas pela inocência de ser criança !

 

As palavras, vou guardá-las... onde dormem outras tantas, que jamais quero esquecer! 

 

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publicado por ónix às 21:28

Sonhos

publicado por ónix, em 22.01.09

 

Hoje ouvi alguém dizer "Achas que vou adiar o meu sonho durante doze meses? Nem penses"!

E eu sorri para dentro. Há quem adie um sonho a vida inteira!!!

 

 

Estas palavras são dedicadas aos meus dois grandes e melhores amigos -  P.J.O que queria ser judoca (chegou a sê-lo participando no Campeonato Europeu de Judo, trazendo para Portugal a medalha de bronze. Foi obrigado a desistir por falta de apoio financeiro da Câmara Municipal da nossa cidade) e M.L.T. que queria ser bailarina (frequentou aulas de dança contemporânea, desistindo, devido a circunstâncias da vida) -  e que viram assim, o seu sonho adiado! Bem hajam! Adoro-vos!

 

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publicado por ónix às 21:54







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