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Peripécias na Cidade Luz

publicado por ónix, em 02.02.09

 

Aqui há uns bons anos, fui a Paris com três colegas de trabalho. A viagem foi-nos proporcionada pela escola onde trabalhava, a um  preço módico e com  a Instituição a tratar de tudo, inclusive a marcação do hotel. Lá fomos nós, todas contentinhas  a abanar o rabinho de felicidade. A viagem correu bem e finalmente em terra, apanhámos o autocarro p'ro hotel. Quando comecei a olhar p'ras ruas que ia percorrendo e onde a carripana acabou o seu percurso, comecei a sentir o coração apertadito. "Mas... Paris é isto?" As ruelas eram estreitas, velhas, sem nenhum encanto e ainda por cima, meio imundas.

Descemos do autocarro e eis-nos em frente ao hotel, decidindo de imediato ir comprar fruta e iogurtes. Armada em boa, comecei de imediato a treinar o meu francês. "Ao menos isso... ao menos que me sinta na Cidade Luz a falar o meu francês fluente". Eu e outra colega tinhamos facilidade no desempenho da língua, ao contrário das outras duas que utilizavam uma espécie de  linguagem gestual tão peculiar, que aquilo era rir até me doerem os zigomas.

Preparávamo-nos p'ra entrar numa lojita que vendia o que pretendíamos e estando ainda nos treinos  para fazer o pedido e pagar, eis que o dono que se encontrava à porta abre a boca e diz:"Não vale a pena treinarem o francês. Nós somos portugueses e já vivemos aqui...."

Foi a derrocada! Deixei de o ouvir e quase de o  ver, a minha boca escancarada qual peixe fora de água, as minhas ideias num turbilhão. "Não acredito! Que desgraça tão grande! Mas afinal o que é isto? Paris ou Lisboa?"

Quase passada a desilusão toca a entrar no hotel. Nova derrocada! Estávamos cercadas por dezenas de cachopada de excursões, cada um falando a sua língua, aos tropeções em malas e troleys, fazendo lembrar o mercado em dia de lotação esgotada.

Bem, a coisa melhorou no dia seguinte quando fomos passear ao Champ de Mars rumo à Torre Eiffel, interrompendo a caminhada para uma das colegas ir a uma loja comprar não sei o quê. Como nunca mais aparecia fomos ao seu encontro e fomos dar com a pobrezita lavada em lágrimas porque tinha sido enganada no troco( a moeda ainda era o franco) e qual quadro patético, olhava para as moeditas que tinha na mão pedindo encarecidamente a nossa ajuda."Então não ajuda? Esquece lá isso... amanhã  já percebemos mais disto." E foi verdade.

O terceiro dia, esse sim, foi o máximo.Yupiii! Eurodisney com elas... agora, Disneyland Paris! Bem, quando entrámos parecíamos umas parolitas, de boca aberta a olhar p'ra aquilo... era tudo tão lindo! Tudo corria sobre rodas, quando nos lembrámos de andar no Space Mountain, a famosa montanha russa, que consiste naquela viagem numa nave espacial hiper possante para ver estrelas cadentes e satélites, em escuridão quase total. "Isto também não deve ir assim a uma velocidade fora do normal ...e bolas já sou crescidinha".

Qual velocidade, qual quê! Que ideia disparatada!  Quando aquilo disparou e começou a acelerar, não sei se vos diga se vos conte.Foi uma viagem interminável, de olhos fechados e boca aberta, a berrar a plenos pulmões, enquanto a amiga que ia a meu lado gritava aos meus ouvidos  que nem uma desalmada "Grita, Guida, grita"...E bem que lhe obedeci. E as estrelas e satélites, viste? Também não. Mas o resto do dia, foi fantástico.

Na última noite e para despedida  resolvemos ir a um piano bar,Le Ciel de Paris, situado no 56º andar do edifício mais alto da cidade - Tour Montparnasse. A vista da cidade toda iluminada era soberba, sem dúvida . Pedimos uma coca-cola p'ra cada uma e para terminar em beleza a nossa estadia na Cidade Luz, quando foi p'ra pagar até nos faltou o ar - mil e cem paus por cada cola( isto em 1997). Toma lá que é p'ra aprenderem!!!

 

A quem teve coragem de ler  este testamento, tiro-lhe o meu chapéu. E logo eu, que não sou apologista de posts extensos!

 

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publicado por ónix às 20:48


comentários

De José A a 02.02.2009 às 23:24

Já li.
Gosto de ler passagens e acontecimentos da vida.
A razão é simples, quando lê-mos um livro tentamos entrar na história, mas nestes casos, consigo imaginar aquela montanha russa e aquela vista da torre Eiffel. O pior mesmo deve ter sido encontrar Portugueses...
Deve ter sido mesmo uma verdadeira aventura e por muito que corra bem ou mal, fica sempre na memoria.

De ónix a 02.02.2009 às 23:29

Não foi mau encontrar portugueses, pois onde quer que vás, eles estão lá... eu é que fiquei abananada por ouvir falar a nossa língua logo à chegada... mas foi tão divertido que ainda hoje quando me lembro, tenho que me rir... bigada por mais um comentário amigo

De Ametista a 03.02.2009 às 01:13

Bem... simplesmente fantástico! Maravilhosa a forma como descreves a tua bendita viagem... de rir até mais não!
Podias pôr aqui a fotografia que te tiraram quando ias no Space Mountain...
Digo-vos que está o máximo!
Um testamento, como lhe chamas, gritante!
Beijokinhas, manuska

De ónix a 03.02.2009 às 19:11

Realmente aquela foto de bocas escancaradas aos berros está divinal, mas prefiro guardá-la no meu baú de recordações... ainda bem que te fiz rir, isso é que é importante... e mais peripécias havia p'ra contar mas depois ficava um texto que nunca mais acabava... bjinhos e obrigada

De Ametista a 04.02.2009 às 00:48

Podes fazer o capítulo II.
Que dizes?
Jokinhas

De ónix a 04.02.2009 às 21:45

Não dá, miúda... são pequenas aventuras que estão todas relacionadas e teria que haver uma sequência relativamente ao post já publicado... mas valeu a ideia... abraço

De Control Freak a 04.02.2009 às 15:38

Amei este post =) adorei o teu sentido de humor! Estas viagens são das melhores coisas que a vida nos dá! Sempre que qiuseres publica posts extensos, se forem como este estás aprovada!

Beijinhos da amiga ninana!

De ónix a 04.02.2009 às 21:35

Olá, ninana
Muito obrigada pelas tuas palavras... fico feliz por teres gostado... é sempre bom saber que há alguém do outro lado, que gosta do que escrevemos.. bjinhos

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