Domingo, 2 de Junho de 2019

Regresso

Regresso com vontade de escrever palavras.

Boas, más, pobres, ínsipidas, com sentido, sem sentido, meias palavras, palavras inteiras, pouco importa.  

São minhas e escritas com o que sinto e com o que não sinto.

 


escrito por ónix às 22:37
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

O Despertar dos Silêncios

Para quem tem silêncios para despertar e faz de um livro de palavras belas o seu cúmplice de emoções!

 


escrito por ónix às 21:34
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Back in time

Reentraste na minha vida sem avisar e reavivaste-me memórias adormecidas em sono profundo. Relembraste-me momentos passados que jamais pensei que pudessem despertar. A teu lado passaram as horas calmas e serenas, fluiram as palavras, escutei em êxtase a tua voz, queria tocar a tua mão e sentir a tua pele.

No regresso a casa descansei as memórias despertas, aquietei-me a pensar em ti.

E se nessa noite me tivesses pedido para ficar? Aninhava-me em ti e descansava no teu ombro o cansaço das saudades.

Depois? Os sentidos e a vontade falariam por si.

 


escrito por ónix às 23:47
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Domingo, 10 de Novembro de 2013

Um dia...

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Certa vez, após uns dias de ausência que me custaram imenso, aproximaste-te de mim de surpresa, deste-me um abraço do teu tamanho e murmuraste-me ao ouvido... só para ver esse teu sorriso, já valeu a pena vir.

E eu abracei o mundo com o meu sorriso.

 


escrito por ónix às 20:29
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Quarta-feira, 11 de Setembro de 2013

Vontades

A festa estava ao rubro. Por entre uma multidão eufórica e cheia de vontade de acreditar numa vida melhor, ela irrompeu disposta a ser feliz. Sucederam-se gargalhadas, conversas intimistas, sentia-se felicidade no seu coração. Agarrou a alegria dos momentos, aproveitou até ao tutano amizades que julgava perdidas.

Riu e dançou, correu desenfreada e voltou a dançar e quis parar o tempo.

Quando o estalar dos foguetes anunciaram o fim, regressou a casa feliz. No olhar, transportava uma alegria imensa... no coração, transportava liberdade!

 


escrito por ónix às 22:41
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Terça-feira, 9 de Abril de 2013

Poetas

Os poetas são tristes e escrevem sobre coisas tristes.

Os poetas escrevem nos cafés, nos sotãos, nas caves e obedecem fielmente à inspiração quando ela aparece sem avisar.

Os poetas amam os livros, amam o cheiro das folhas de papel, amam as canetas e os cadernos.

Os poetas espreitam o lado negro da vida e fazem dele poesia.

Os poetas sonham acordados e transpiram rimas de tudo e de nada.

Os poetas têm a alma e o coração grandes e acreditam em coisas de amor e liberdade.

Os poetas quando morrem vão p'ro céu. E lá de cima, deixam cair palavras soltas.

 


escrito por ónix às 23:08
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Terça-feira, 2 de Abril de 2013

Faz

Vem a correr abraçar-me e faz-me esquecer a quase loucura da tua ausência. Sussura-me ao ouvido palavras de amor ausente e faz com que o beijo frenético que trocamos faça disparar os sentidos . Depois, deixa que me abandone em ti e faz-me acreditar que te vou ter até à eternidade.

 


escrito por ónix às 17:07
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2013

Escolhas

 

Lágrimas de raiva não contidas, mãos trémulas passadas pelos caracóis do cabelo e o pensamento que vai para ti. Consumo-me. Escapa-se-me o chão e a gravidade. A luta travada não chegou. Para os outros chega sempre. E depois existe sempre aquele medo da solidão e dessas coisas assim. De momento só queria uma gargalhada das tuas, não dizem por aí que a vida é feita de momentos? Isto é pedir muito? Se calhar... tendo em conta a situação e a vida que me tramou ou então até fui eu quem tramou a vida. Sei lá. Quero ser feliz. Ponto.

 


escrito por ónix às 00:43
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012

Noite

As botas grosseiras e gastas iam deixando marcas no caminho que percorria na noite gélida. As chaminés das casas fumegavam e os telhados  cobertos de branco curvavam-se ao seu passar. Farrapos de neve tinham caído durante todo o dia prolongando-se silenciosos pela noite dentro. Com o bafo aqueceu as mãos e tentou aquecer a alma. Ia espreitando aqui e ali observando através das janelas, gentes que soltavam gargalhadas e conversavam no quente dos seus lares. A comida e a bebida abundavam contranstando com o verdadeiro sentido da noite que diziam ser santa. Sorrisos de escárnio e ambição apoderavam-se de cada ser que silenciosamente observava e silenciosamente condenava. Todos os anos se obrigava a fazer aquela caminhada batendo de porta em porta sem que a necessidade o obrigasse, mas por uma curiosidade desmedida. Poucos eram os que lhe abriam a porta, raros os que lhe dirigiam a palavra quando o faziam. Continuou o seu caminho rumo a casa. Também esta fumegava tendo no seu interior todo o conforto que um homem deseja ter. Descalçou as botas e sentou-se no velho cadeirão junto à lareira. Colocou a mão sobre o coração... batia descompassado, talvez de emoção ou de desencantamento, quem sabe. Desencantamento do mundo e dos homens, das atitudes e dos sentires. Sentiu-se no entanto feliz. Feliz por ser quem era, feliz pelo bater do seu coração que tinha a certeza ser do tamanho do espírito daquela noite especial.

 


escrito por ónix às 00:20
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Domingo, 14 de Outubro de 2012

Aplauso

 

Diz-se por aí que as árvores morrem de pé e quem tem dignidade, fá-lo. Estes senhores que nos governam e tendo em conta as humilhações a que se têm subjugado, nunca saberão o que isso é. Destituídos de valores e de tudo o que é socialmente correcto e afrontados pelo medo que os vai corroendo, julgam através das suas mentes perversas que o povo pouco vale e tudo aceita. Esquecem-se os pobres coitados da força de um povo nobre que lutará com suor e lágrimas em prol dos seus ideais e do seu país, de um povo que no final gritará vitória.

Eles vão tombar... eu estarei cá para ver e para apludir de pé!

 


escrito por ónix às 02:17
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

Sedução

Lado a lado,encostados ao balcão do bar eles falam sobre coisas banais. Separados pela distância e pelo tempo a amizade que os uniu outrora foi desvanecendo com o passar das horas e dos dias. O burburinho das conversas e a música envolvente, toldam-lhes os sentidos fazendo despertar emoções desconhecidas. Sente a mão dele percorrer-lhe as costas, sente-a depois insinuante nas ancas,sente-as finalmente a descansar em redor das coxas. E ela deixa. Depois entrelaça-lhe a cintura num jogo de sedução irresistível, cola o seu corpo ao dela e murmura-lhe em tom de súplica "dança comigo" e ela agarrada a ele deixa-se rodopiar, deixa-se embalar. Saem do bar, os sentidos baralhados, as emoções revoltas como um mar em dia de tempestade. Continuam a falar de coisas banais, observam o rio que vai correndo ao sabor da noite quente. Param, encontram-se os olhos, nasce o beijo desejado. Ele abraça-a, ela abraça-o e em tom de súplica no olhar doce, ela afasta-se a correr pela noite dentro com a voz da razão a matar cruelmente a vontade .

Sempre foi assim e possivelmente sempre assim será... medo do dia seguinte, medo de ser feliz, medo de seguir a voz ténue do coração.

 


escrito por ónix às 02:41
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012

Smile

Ela esperava-o como sempre junto ao portão vermelho, não importava se fazia chuva, se fazia sol. O corpo bem delineado inquietava-se se ele tardava. E quando ele aparecia no seu corpo magro assim surgido do nada, o sorriso dela, ai o sorriso dela, tinha a capacidade de iluminar o breu da noite mais invernosa. Impensável seria não darem aquele abraço apertado que os fazia sentirem-se pertença um do outro. E de mão dada seguiam avenida fora por entre confissões e juras de amor tendo como cúmplices os castanheiros que gemiam à sua passagem. No regresso, ele deixava-a contra vontade junto ao portão vermelho e dando-lhe aquele abraço que só os dois conseguiam sentir e entender, pedia-lhe o sorriso e murmurava-lhe palavras de amor eterno. Não queria regressar ao lar, queria ficar ali a bebê-la com o olhar, a dizer-lhe palavras loucas, a passear a mão atrevida pelo seu corpo esguio. Ela dava-lhe o sorriso pedido e também queria ficar. Mas a razão falava mais alto. Separavam-se com a promessa do reencontro no dia seguinte, e no outro dia e ainda no outro a seguir.

Está agora encostada ao portão vermelho, sozinha com a cumplicidade dos castanheiros. Já se contam no rosto algumas rugas que o tempo foi deixando. O corpo inquieta-se, sabe que ele não vem. Observa as velhas árvores desinsofridas, deviam dizer-lhe por onde anda o seu amor. Não obtém resposta, olha para dentro de si e admira a mulher em que se transformou. Sorri sem pensar, ai o seu sorriso, se ele o pudesse ver...

 


escrito por ónix às 01:27
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

Why?

Quando naquele fim de tarde soalheiro entrei no teu Mini Morris azul escuro não fazia a mínima ideia para onde me/nos irias levar. Éramos quatro...eu, tu a mana e o F. Tinhas estudado no famoso colégio dos meninos bem e foi precisamente aí que nos levaste. Saltámos o muro das traseiras, eu a medo, tu rindo-te de mim. Nunca te abandonou esse teu espírito aventureiro. Os baloiços que se avistaram sorriram para mim, sempre adorei andar de baloiço, e tu de imediato te prontificaste para o empurrar. E assim passámos a tarde a falar de coisas banais, eu a ser embalada por ti e a sentir a brisa suave daquele fim de tarde outonal no meu rosto de menina. Passou depressa o tempo, aproximava-se a hora de regressar. Sentada na parte de trás do Mini Morris azul escuro comecei por te avisar da velocidade que a pequena viatura começava a ganhar. O meu coração palpitava, o carro levantava vôo nas lombas e eu insisti no aviso.Ignorando os meus pedidos,fixaste-me com esses teus olhos azuis atrevidos e provocadores, através do retrovisor. Mantiveste o teu olhar no meu  e assim continuaste até me deixares em casa. Jurei nunca mais andar contigo de carro. Cumpriu-se a promessa.

Voltámos a encontrar-nos mais vezes com o grupo de amigos de então. Sempre que me vias,agarravas-me e abraçavas-me com aquela ternura sem maldade como que a querer dizer-me alguma coisa e eu ceguinha de todo nada via, nada desconfiava. Naquela tarde de farra no famoso Fame onde se juntavam os adolescentes de então, disseste-me sem meias medidas o que provavelmente me querias ter dito há mais tempo. Fiquei boquiaberta qual peixe fora de água e disse-te que não. Ri-me muito e chamei-te doido. Ainda me lembro da imediata desilusão no azul dos teus olhos mas nada te fez desistir. Insististe durante mais algum tempo até perceberes finalmente que o que me unia a ti não ia além de uma grande e pura amizade.

Um dia disseste-me que te ias embora para longe, que tinhas arranjado trabalho. Despedimo-nos numa tarde de um fim de semana qualquer sem dramas nem ressentimentos. O tempo foi passando veloz, estive aproximadamente dois anos sem saber nada de ti, tu sem saberes nada de mim. Até que um dia apareceste na velhinha praça, sem avisar, com esses teus olhos malandros e essa tua expressão vitoriosa e aventureira. Senti um certo constrangimento entre nós, olhaste-me de alto a baixo, viste-me de mão dada...e pouco falámos além do que te tinha feito regressar. A partir desse dia cheguei à conclusão que a nossa amizade se desmoronara e que a distância nos tinha afastado quase de maneira irreversível. Não me lembro de termos voltado a falar.

A notícia do teu desaparecimento  algum tempo após o teu regresso, quem sabe para um sítio melhor, chegou de forma hedionda caindo em mim como uma bomba. O espírito aventureiro atraiçoara-te e a velocidade que tanto amavas revelou-se a tua pior inimiga. Chorei como uma miúda durante longos dias sentindo uma terrível angústia apoderar-se de mim. Depois, o tempo foi acalmando a dor.

Tenho pensado em ti achando que o faço poucas vezes, meu querido. E ainda hoje quando vou a casa de minha mãe e me sento no banco de jardim a contemplar a avenida, oiço os castanheiros suspirarem por ti e revejo-te, quando há muitos anos passavas por ali com esse teu porte altivo e aventureiro acompanhado desse teu olhar atrevido da cor do mar.

 

                                                             Para ti, com profunda saudade quão profundo era o azul do teu olhar

 


escrito por ónix às 23:45
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Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Acerca deste dia

 

Ainda gostava de saber de quem foi a mente iluminada que fez nascer este dia que por si só considero pura discriminação. Fico irritadíssima quando televisões e rádios logo pela manhã falam incessantemente do aberrante dia oito de Março.

Acho particularmente extasiante o facto de as mulheres portuguesas se juntarem aos magotes e todas felizes e contentes entupirem os restaurantes para irem almoçar e/ou jantar como se fosse o único dia de liberdade das suas vidas silenciosas e sem cor, num rol de mais trezentos e sessenta e quatro. Tenho pena das mulheres do meu país, mentalidades paupérrimas desprovidas de algum orgulho e bom senso.

Não as coloco todas na mesma bitola mas francamente, parem para pensar e já agora alguém que crie o dia das pessoas do sexo masculino. Com toda a certeza eles iriam adorar!!

 


escrito por ónix às 20:04
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Sábado, 28 de Janeiro de 2012

Words

 

Não consigo escrever, anda fugida a inspiração. Carrego nas teclas que escrevem os meus desabafos e apago e volto a carregar para voltar a apagar. E depois desiludida, fecho-as num movimento brusco e sinto aquela vontade imensa de escrever e quero agarrar as palavras mas elas escapam-se-me por entre os dedos soltando gargalhadas de loucura. E eu numa corrida desenfreada continuo a persegui-las e elas perseguem-me a mim, uma aqui outra ali, sem ordem e sem sentido, levando-me à exaustão. Deixo fluir o tempo e quando elas regressam na calmaria de um fim de tarde soalheira, eu sorrio feliz, porque quando escrevo esqueço tudo e quando esqueço tudo sinto-me apaziguada. Carrego nas teclas sem apagar e elas sucedem-se submissas, escritas com ternura desmedida e com aquele sentido que só eu lhes sei dar.

 


escrito por ónix às 01:10
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

Ele e Ela

Cruzo-me com eles quase todos os dias no mesmo local, à mesma hora, faça chuva ou faça sol. Ela, numa cadeira de rodas com um chapéu de feltro na cabeça em dias frios, ele a empurrar. Setenta e tal anos e não, não faço a mínima ideia do seu parentesco. Marido e mulher, irmãos ou simplesmente amigos, pouco importa. A expressão dela, amarga, desiludida com a vida e sem resposta para os seus porquês, a expressão dele, de uma ternura sem tempo. Não consigo evitar um sorriso carinhoso que não vêem, através do vidro do meu carro que aguarda que o vermelho passe a verde.

E sempre que os olho quase todos os dias, no mesmo local, à mesma hora, faça chuva ou faça sol, nunca duvido nem por um segundo que seja, do imenso amor que os une até que o tempo o permita.

 

 

Este post é-lhes dedicado sabendo que nunca o irão ler.

São estes momentos que fazem renascer a inspiração e me dão força para continuar.

 


escrito por ónix às 02:20
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Red rose

O estafeta chegou de expressão serena ao meu trabalho com rosa encarnada na mão acompanhada de cartão. Perguntou por mim, eu disse que era engano. Sorriu e disse que não... entregou-me a rosa e partiu com sorriso estampado na cara. Olhei a rosa e li o cartão com lágrima ao canto do olho. Dispararam todos os sentidos, as colegas bateram palmas e eu sem saber se rir ou chorar tamanha era a emoção. A vontade era desmedida, queria  sair dali e correr até ti. Nada feito, custou-me o resto do dia. Guardei a rosa encarnada em livro grande e pesado. Passaram anos, um dia tu partiste.

Certa vez abri o livro, a rosa seca e de cor esbatida gemeu, desfez-se em mil pedaços. Com ela foi o meu coração.

 


escrito por ónix às 21:26
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Closed

Fechado p'ra balanço. Até breve, espero.

 


escrito por ónix às 20:35
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Sábado, 8 de Outubro de 2011

O livro ou não...

Este é o livro que escrevo para todos vós. Não tem a forma de um livro nem tão pouco o seu cheiro, não tem páginas, não tem capa nem contracapa. Não tem prefácio nem epílogo, não tem editora nem vai ter lançamento. Não tem nada mas tem tanto de mim. Momentos de toda uma vida vulgar com alegrias e tristezas, lágrimas e gargalhadas, ilusões e desilusões, amores e desamores e tantas coisas banais que marcam a vida de uma pessoa banal. Estas palavras que vos deixo, podem lê-las quando e onde quiserem, podem amá-las ou odiá-las, podem ser-lhes indiferentes, podem fazê-los pensar ou nem por isso.

E logo eu que amo os livros, que adoro folheá-los e senti-los, que absorvo as frases e as histórias, que adoro os autores e as biografias, que amo as livrarias e as bibliotecas. E será isto que escrevo um livro?

O meu livro não tem cor ou se calhar tem, tem a cor da minha alma, do meu coração e do meu pensar.

Este é o meu livro sem forma, que dedico a todos os que me lêem e que dedico sobretudo a mim. Aqui escrevo o que me apetece e o que sinto, uma vezes bem outras assim assim, mas não preciso mudar para publicar nem sequer perguntar se acham bem ou acham mal.

Efectivamente este livro é muito meu. É um imenso eu.

 

Texto escrito para a Fábrica de Histórias

 


escrito por ónix às 00:05
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Domingo, 25 de Setembro de 2011

Eternamente jovem

"Por todo o atelier pairava o aroma intenso das rosas e quando a branda aragem estival corria por entre as árvores do jardim, entrava pela porta a fragrância carregada do lilás, ou ainda o perfume delicado do espinheiro de floração rósea. Estendido no divã de bolsas de seda persas, a fumar, como era seu costume, cigarro após cigarro, Lord Henry Wotton só conseguia vislumbrar do seu canto as flores adocicadas e cor de mel de um laburno, cujos ramos trémulos pareciam mal poder suportar o peso de beleza tão fulgurante."

 

Oscar Wilde, in " O Retrato de Dorian Gray "

 

O frufru do vestido de seda preto fazia-se insinuar na sala escura e sombria. Andava de trás para a frente, de frente para trás num frenesim constante. Tinha passado pelo grande espelho que ladeava uma das muitas paredes aristocráticas e tinha olhado de relance. Odiou-se por o ter feito. As rugas marcavam de forma impiedosa o seu belo rosto de outrora que sempre provocara desejos escondidos nos homens por quem passava. Parecia agora um trapo velho e desajeitado. Não conseguiu evitar um grito de ódio, queria ser eternamente jovem, recusava-se a olhar para o espelho mas não conseguia evitá-lo por vezes. Saiu batendo com a porta e de rosto tapado com o habitual véu negro, precipitou-se para a rua pouco movimentada dirigindo-se à velha casa quase abandonada habitada pelo velho chinês que lhe havia vendido o líquido milagroso, o tal que rejuvenescia quando ingerido diariamente. Entrou acelerada insultando o pequeno homem que a olhava quase incrédulo.

- Aquilo que me que me vendeu, aquele líquido que me iria fazer voltar a ser jovem é uma fraude. Não saio daqui sem algo que me faça rejuvenescer. Não aceito ser velha e feia. Já ninguém me olha na rua. E despache-se, tenho pouco tempo.

O velho senhor nada disse e dirigindo-se à salinha repleta de frascos e frasquinhos, mezinhas e outras coisas que tais pegou cuidadosamente num deles dirigindo-se calma e suavemente à dama furibunda que o esperava ansiosa.

- Aqui tem...sabe? Isto é tudo uma ilusão. Nada a fará voltar a ser o que era. Nunca a enganei, sempre fui sincero. Se quiser pode ingerir este, irá ajudá-la na sua infelicidade.

E aproximando-se segredou-lhe ao ouvido palavras que jamais seriam reveladas. Ela abriu os olhos de espanto, atirou com uma nota para cima da mesa e saiu apressada. O coração batia descompassado quando entrou em casa e trancando-se no quarto retirou o véu que lhe cobria o rosto. Olhou-se uma última vez ao espelho, sentou-se na cama agora com uma calma desconcertante e levou o frasco aos lábios  já marcados pelo tempo. Bebeu até à última gota e deixando deslizar suavemente o frasco por entre os dedos, deitou-se à espera. Sentiu os olhos fecharem-se sem querer e uma tranquilidade invadiu-lhe o corpo e a alma.

A porta da entrada bateu. Lord Henry acabara de chegar. Só ela já não o ouvia.

 


escrito por ónix às 23:33
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